Associação Sindical da PJ reitera críticas a decreto sobre Interpol e Europol
14 de dez. de 2022, 11:20
— Lusa/AO Online
"A ASFIC
mantém a posição outrora manifestada, no sentido que a Interpol e
Europol se deviam manter na Polícia Judiciária, porque se trata
essencialmente de uma cooperação policial mas também porque sempre
funcionou muito bem, nunca tendo existindo qualquer suspeita de
parcialidade ou violação do segredo de justiça", disse à agência Lusa a
presidente da ASFIC, Carla Pinto.Ao dizer
isto, Carla Pinto ressalvou que a ASFIC não está "a levantar qualquer
suspeitas relativamente a quem atualmente está no poder político ou
exerce as funções de secretário-geral do Sistema de Segurança Intena
(SGSSI), mas observou: "Contudo, não sabemos quem as exercerá no futuro e
se terá a mesma idoneidade".Na
segunda-feira, o TC considerou constitucional o decreto sobre o Ponto
Único de Contacto para Cooperação Policial Internacional, que integra a
Interpol e Europol na sua esfera, após o Presidente da República,
Marcelo Rebelo de Sousa, ter pedido a fiscalização preventiva do
diploma.Em causa estaria a separação de
poderes, depois de vários partidos com assento parlamentar terem acusado
o governo de tentar controlar o aparelho do Estado, ao colocar a
Interpol e a Europol sob a dependência do executivo.O
Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pediu a fiscalização
preventiva do decreto "dado tratar-se de matéria relativa a direitos
fundamentais, que causou a divisão a meio do parlamento, por razões
políticas e constitucionais" e "com o objetivo de certeza jurídica".Também
hoje, o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) manteve
as críticas ao decreto sobre o Ponto Único de Contacto para Cooperação
Policial Internacional (PUC-CPI), apesar de o Tribunal Constitucional
considerar que o diploma não viola a Constituição."O
Tribunal Constitucional entendeu que a opção legislativa pela
integração, na esfera do PUC-CPI, da Unidade Nacional Europol e do
Gabinete Nacional Interpol, não implica uma violação da Constituição.
Não obstante não deixou de apontar críticas e insuficiências ao modelo
organizatório instituído pelas normas questionadas", referiu o SMMP à
agência Lusa.Segundo o SMMP, o decreto
"não revoga nenhuma das disposições normativas do decreto-lei 137/2019
relativamente à organização interna da Polícia Judiciária e à cooperação
policial internacional", pelo que "daí poderão advir incongruências
sistémicas e dificuldades interpretativas". "De
qualquer das formas para o SMMP a questão não se resumia à
constitucionalidade ou não da opção legislativa, mas à clara confusão
entre aquilo que é o domínio da segurança interna e a esfera de atuação
das forças de segurança no mesmo, e aquilo que são as competências das
polícias enquanto órgão de polícia criminal, que o TC igualmente
sufraga", adianta o SMMP, que desde o início se mostrou contra a opção
legislativa agora validada pelo TC. Na
perspetiva do SMMP, se, por um lado, faz sentido que as forças e
serviços de segurança estejam sob a tutela do executivo no que tange às
competências eminentemente policiais e circunscritas ao âmbito da
segurança interna - como o policiamento de rua, de eventos, a
articulação entre o Sistema de Segurança Interna e o planeamento civil
de emergência, a ligação com estruturas privadas, incluindo as empresas
de segurança privada - já o mesmo não se pode dizer quanto às suas
competências enquanto órgão de polícia criminal.O
SMMP admite que "a opção legislativa pode estar nos limites
constitucionais", conforme concluiu o acórdão do TC, mas sublinha que o
decreto em causa "não deixa de ser um sinal claro de que este Governo
quer controlar a investigação criminal".