Associação Sindical da Guarda Prisional fala em caos e alerta para novas fugas
8 de jul. de 2025, 12:17
— Lusa/AO Online
Em declarações à agência Lusa
minutos antes de se saber que os dois reclusos que se evadiram na
segunda-feira do Estabelecimento Prisional de Alcoentre foram
capturados, Hermínio Barradas considerou que “é uma irresponsabilidade
dos Governos terem deixado chegar o sistema prisional a este ponto”.“Os
fenómenos vão continuar a ocorrer por força desta espiral descendente
de recursos. É um caos autêntico. É uma irresponsabilidade os Governos
terem deixado de chegar o sistema prisional a este ponto. E agora vão
atrás do prejuízo e não conseguem porque a massa humana não vem para
esta profissão. [As causas estão em] três eixos: o edificado obsoleto, a
sobrelotação e a falta de recursos”, disse o presidente da ASCCGP.Dois
homens, de nacionalidade portuguesa, de 37 e 44 anos, fugiram pelas
18h20 de segunda-feira do Estabelecimento Prisional de Alcoentre, no
concelho de Azambuja, distrito de Lisboa.Fonte
da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) disse à
Lusa que os reclusos que fugiram pelas 18h20 de segunda-feira foram
capturados.O
Jornal de Notícias escreve que a fuga aconteceu numa zona em que a
torre de vigia estava desativada e que os reclusos terão trepado o muro e
usado uma corda de lençóis.De acordo com o matutino, estavam ao serviço 15 guardas em vez dos habituais 30.Para
o presidente da ASCCGP, “as falhas são sistémicas” e o que o que está
em causa é “uma série de fatores holísticos que provocam e potenciam
ainda mais cedo estes fenómenos”.“As
torres de vigia não estavam ativadas porque não é efetivo e não se
consegue contrariar esta tendência de saída [da profissão] por
inatratividade da profissão. Já se fala em algumas alterações, mas não
posso estar a divulgar. Vão exigir muita coragem e vão gerar muitos
anticorpos. Não há resolução possível sem mexer ao nível orgânico e
estrutural. É impossível. E temos esta direção geral, que veio das
direções das cadeias, que tem muitas limitações no que podem e
certamente queriam fazer”, disse.Hermínio
Barradas apontou, ainda, que “há uma obsessão terrível por esta
Direção-Geral na realização de diligências”, justificando que esta “tem
estado a ser muito pressionada pela magistratura para fazer o serviço”.“Ora,
se o efetivo já não chega para as tarefas internas, estar a enviar os
poucos recursos que existem para o exterior, no interior depois ainda
fica mais reduzido. É uma inevitabilidade, vai acontecer uma desgraça
qualquer se não houver vontade política, o tal pacto de regime que nós
já falamos há coisa de um ano, para mexer nas cadeias a sério. Mexer a
sério nas leis, na estrutura, na orgânica”, concluiu.