Associação lembra que 1.994 pessoas ainda aguardam por “justiça”
BES
1 de ago. de 2024, 17:27
— Lusa/AO Online
A associação disse que os
“investidores não qualificados – nacionais e emigrantes - continuam em
esquecimento, não se compreendendo a falta de equidade entre os
impactados do maior crime financeiro que o país tem memória”.“Após
3.700 dias de espera, de reuniões infrutíferas com os anteriores
Governos e de medidas discriminatórias para estes investidores, a única
alteração é o estatuto de vítima na criminalidade financeira”, referiu,
indicando que com isso “pedem indemnizações por terem sido vítimas de
dano patrimonial e moral no âmbito de um crime, agora sob a avaliação do
tribunal cível”.A associação disse que
“as 1.994 vítimas que conseguiram assegurar, na sua esmagadora maioria,
este estatuto, aguardam pela justiça em julgamento, finalmente marcado
para o dia 15 de outubro e depositam a esperança derradeira no atual
Governo”, estimando que “as poupanças de vida de investidores não
qualificados somem cerca de 240 milhões de euros, que até hoje não lhes
foram restituídos, em um único cêntimo”.No processo-crime, este conjunto de vítimas reclama 330 milhões de euros, “valor que inclui danos morais”, indicou.A
associação deixou críticas aos anteriores Governos, acusando-os de ir
“empurrando com a barriga” a redução de perdas destas famílias e
pequenos investidores, “em contraponto para os do papel comercial que
recuperaram 50 a 75% das suas poupanças, algo verdadeiramente
discriminatório e desrespeitador" para quem representam.“Finalmente
vai começar o julgamento, no dia 15 de outubro, e as vítimas continuam
com esperança na condenação e na recuperação do seu dinheiro. O estatuto
de vítima, pela primeira vez atribuído em Portugal na criminalidade
financeira, sempre com a oposição do Ministério Público, faz-nos
acreditar que estamos no caminho certo”, indicaram.A
ABESD lembrou que estes investidores têm “um perfil entre os 40/50
anos, pequenos investidores nacionais e emigrantes que, por terem
poupanças, foram aliciados com produtos bancários compostos do BES”,
alguns destes “nem sequer autorizados em Portugal”.“Mas
não é só uma longa espera e equidade de resolução que marca as vítimas
do BES/GES: o próprio processo judicial veio a confirmar que impactou
fortemente estas pessoas, quer no dolo económico, quer na saúde mental.
Para levar esta convicção a uma evidência técnica, a associação
encomendou um estudo a uma entidade competente, cujos resultados poderão
ser conhecidos em outubro”, rematou.Logo
no dia da resolução do BES, em 03 de agosto de 2014, o Banco de Portugal
(BdP) disse que acionistas e detentores de dívida subordinada teriam
perdas uma vez que ficavam no BES (transformado em 'banco mau') e não no
Novo Banco (criado nesse dia sobretudo para proteger os depósitos).Também
perdas tiveram os detentores de obrigações não subordinadas do BES.
Inicialmente, a responsabilidade por essa dívida passou para o Novo
Banco, mas no final de dezembro de 2015, perante a falta de capital do
Novo Banco (até porque muitos ativos com que ficou eram afinal
'tóxicos', como crédito malparado), o BdP decide fazer voltar para o
'banco mau' essa dívida.Para os lesados do
papel comercial, foi criado em 2017 um fundo de recuperação de créditos
pelo qual, os clientes que aceitaram, recuperaram 75% dos investimentos
até 500 mil euros (num máximo de 250 mil euros) e 50% dos investimentos
acima de 500 mil euros.Esta solução
deixou de fora clientes das sucursais exteriores do BES (caso de
emigrantes da Venezuela e África do Sul) e do Banco Privée (Suíça), que
continuam em negociações agora com o atual Governo.O Novo Banco também fez acordos para soluções comerciais com emigrantes lesados.