Associação Empresarial das Furnas está contra taxa turística
24 de out. de 2019, 10:08
— Paulo Gouveia
A Associação Empresarial das Furnas (AEF) manifestou ontem o seu
desacordo com a decisão da Câmara Municipal da Povoação de aplicar no
concelho uma taxa turística sobre as dormidas.Em comunicado, a
associação presidida por Luís Quental considera que a sua aplicação
funciona como um imposto, e que, por essa razão, deixa o concelho “em
desvantagem competitiva” em relação a outros territórios.Os
empresários sublinham que a Povoação é o concelho de São Miguel que tem
menos unidades de alojamento e que, por outro lado, possui “o maior
número de casas abandonadas, contando-se centenas de habitações
degradadas ou em ruínas há décadas que poderiam ser recuperadas por via
do alojamento local ou do turismo rural”.A Associação Empresarial
das Furnas recorda que “o concelho da Povoação vai já no 10.º ano
consecutivo de estagnação/recessão e é dos concelhos dos Açores com
maiores índices de envelhecimento e desertificação”, restando o turismo
como “a única atividade económica que regista algum dinamismo”.Para
as empresas das Furnas, o setor turístico é mesmo “a derradeira
oportunidade para o concelho da Povoação fixar população e atrair
investimento”. Deste modo, defendem estes empresários no referido
comunicado, em vez de “criar taxas e onerar os operadores económicos”,
deveria “isentá-los de taxas e desburocratizar os procedimentos”. A
AEF defende mesmo que a taxa sobre as dormidas é ilegal, uma vez que é
aplicada sobre um serviço prestado por operadores privados e não sobre
os bens e serviços que a autarquia presta. E sugere que se for
consensual a aplicação de uma taxa turística que seja então cobrada pelo
Governo Regional “como taxa de entrada em todos os aeroportos das nove
ilhas” e que a receita seja distribuída pelas juntas de freguesia, “com
base no critério área/número de eleitores”.