Associação dos Municípios dos Açores defende compensação para a Câmara do Corvo
Hoje 16:28
— Lusa/AO Online
“Entendemos
que é uma medida justa que visa resolver o problema que está
identificado e compensar na devida medida o município do Corvo”, que
exerce estas funções “num território muito particular, com uma reduzida
dimensão territorial, de 17 quilómetros quadrados, e com uma população
também bastante reduzida”, afirmou o presidente da AMRAA.Carlos
Ferreira, que é presidente da Câmara Municipal da Horta, na ilha do
Faial, falava numa audição na Comissão da Reforma do Estado e Poder
Local da Assembleia da República, no âmbito da discussão de uma proposta
de lei apresentada pelo parlamento açoriano, que prevê uma alteração ao
regime financeiro das autarquias locais.A
iniciativa, apresentada pelo PPM e aprovada por maioria na Assembleia
Legislativa dos Açores, apenas com o voto contra do Chega, defende o
financiamento do município da ilha do Corvo ao abrigo do Fundo de
Financiamento das Freguesias.A mais
pequena ilha do arquipélago não tem juntas de freguesia, mas a câmara
municipal exerce "as competências genéricas atribuídas às freguesias”,
por isso deve ter “direito, sem prejuízo de outros direitos de que seja
beneficiário na qualidade de município, a uma dotação anual do Fundo de
Financiamento das Freguesias”, segundo a proposta.Na
Comissão da Reforma do Estado e Poder Local, o presidente da AMRAA
reiterou que a associação é “favorável a esta compensação para o
município do Corvo pelo exercício de competências que nos outros
territórios não são definidas pelos municípios, mas sim pelas juntas de
freguesia”.“Entendemos que a função aqui
preconizada resolve o problema identificado, de forma justa e sem a
necessidade de criação de estruturas adicionais e custos permanentes
adicionais para o Estado”, salientou.Carlos
Ferreira defendeu ainda que a medida contribui para a coesão, alegando
que “em territórios de menor dimensão e em que a economia é também mais
frágil, a preocupação pela coesão social, territorial e económica tem de
ser também uma preocupação acrescida de todos os poderes públicos”.Ainda
que a proposta em discussão se referia apenas ao caso do município do
Corvo, o autarca dos Açores deixou um apelo ao “reforço do financiamento
das autarquias a nível nacional” e a uma revisão da Lei de Finanças
Locais que atenda às especificidades das regiões ultraperiféricas.Carlos
Ferreira sublinhou que os municípios dos Açores e da Madeira têm
“sobrecustos permanentes decorrentes da insularidade, da fragmentação
geográfica, da reduzida escala e da falta resposta de vários setores”.“Nos
municípios dos Açores, em que temos toda a rede viária municipal à
nossa responsabilidade, pagamos três, quatro, cinco vezes mais – porque
também nos Açores a realidade é heterogénea entre as nove ilhas –, mas
pagamos muito mais para construir uma estrada do que se paga em outros
pontos do território”, alertou.“As
empresas de maior dimensão, que poderiam realizar as obras aqui nas nove
ilhas dos Açores, não têm recursos humanos disponíveis para o fazer. E,
quando estão disponíveis, naturalmente os custos são incomparavelmente
superiores”, acrescentou.O presidente da
AMRAA considerou ainda que há “um trabalho importante a realizar no
sentido de aproximar o financiamento das autarquias em Portugal da média
da zona euro”.“Os municípios em Portugal
têm acesso a cerca de 12 a 16% das receitas públicas, enquanto a média
da zona euro é bastante superior. E, por último lado, os municípios são
responsáveis por cerca de 40% do investimento público em Portugal”,
frisou.