Associação dos inquilinos rejeita aceleração dos despejos
Hoje 17:35
— Lusa/AO Online
"Somos muito críticos da medida e nunca pensámos que tivesse esta amplitude", afirmou o vice-presidente da AIL, Luís Mendes.O
responsável confirmou que a AIL reuniu há já alguns meses com a
secretária de Estado da Habitação para discutir questões como os
despejos e o bloqueio das heranças indivisas por falta de entendimento
entre os herdeiros.Para Luís Mendes, o
número de despejos por incumprimento no pagamento das rendas é "muito
residual", à luz de mais de um milhão de contratos de arrendamento
existentes em Portugal. De acordo com
dados do Ministério da Justiça, entre janeiro e junho de 2025 foram
registados, em média, 130 despejos por mês, ultrapassando os totais
anuais de 2023 e 2024 que registaram, respetivamente, 89 e 83 casos por
mês.A falta de pagamento das rendas é a principal causa dos despejos em Portugal. Para
o vice-presidente da AIL, simplificar e acelerar os despejos "não é uma
medida estrutural" para resolver a crise da habitação. Além disso, se a medida não for acompanhada por apoios às famílias despejadas, "só vai prejudicar ainda mais as pessoas".Desde
2017, "o número de sem-abrigo triplicou em Portugal. Há pessoas que
trabalham, mas vivem em tendas ou em rulotes porque não ganham para
pagar uma casa ou sequer um quarto", disse ainda. Sobre
a intenção do Governo em criar mecanismos que permitam que um único
herdeiro possa desbloquear a venda ou arrendamento de imóveis detidos
por heranças indivisas, Luís Mendes considerou a medida "um pouco
arbitrária e discricionária", mas reconheceu que pode vir a ter alguma
eficácia.A AIL tem defendido a criação de
tetos máximos para as rendas praticadas em Portugal, como solução para
"acabar com o sobreaquecimento dos preços", segundo afirmou Luís Mendes.
A associação é uma das subscritoras do
conjunto de manifestações marcadas pela plataforma Casa para Viver em 14
cidades do país, no próximo sábado, dia 21. No
Conselho de Ministros de quinta-feira, foi aprovado na generalidade um
conjunto de alterações às leis do arrendamento com vista a contornar o
impasse na resolução de heranças indivisas e a tornar mais céleres os
despejos habitacionais.No final da
reunião, o ministro da Presidência explicou que, no caso das heranças
indivisas, são reforçados os mecanismos que aceleram a resolução das
partilhas de terrenos e imóveis em caso de impasse entre os herdeiros,
com recurso à arbitragem sucessória (fora do tribunal). Sobre
a agilização dos despejos, o Governo pretende uma maior celeridade dos
tribunais quando há incumprimento por parte dos inquilinos,
acrescentando que "a função de solidariedade deve ser desempenhada pelo
Estado", designadamente através do lançamento de um fundo de emergência
habitacional. As novas medidas deverão ser
apresentadas aos partidos durante esta semana. Depois de recolhidos
esses contributos, é intenção do Governo enviar as propostas ao
parlamento até final do mês de março.