Associação desafia Governo a testar diabéticos em risco de contágio
Covid-19
10 de nov. de 2020, 11:50
— Lusa/AO Online
“Estamos numa nova fase da pandemia, estamos
numa fase de dispersão da contaminação, já não se faz por contactos
conhecidos, faz-se na sociedade, e a única forma de abordar esta
situação é pela testagem massiva das pessoas”, defendeu o presidente da
APDP, José Manuel Boavida, que falava à Lusa a propósito do Dia Mundial
da Diabetes assinalado a 14 de novembro.Tal
como a Universidade de Lisboa já começou a testar os estudantes e os
profissionais e a Câmara de Lisboa vai começar a testar nas escolas,
APDP desafia “o Governo a começar a testar as pessoas com diabetes que
estão em risco de serem contagiadas”. Nesta
situação, estão os diabéticos que têm de andar em transportes públicos,
que trabalham em ambientes onde “o perigo de contaminação é real” e,
como tal, “devem ser testadas regularmente”. “Isto
é mais urgente e mais importante se estas pessoas com diabetes tiverem
obesidade, doença cardiovascular, insuficiência renal tiverem cancro”,
disse, reforçando que “estas têm de ser obrigatoriamente testadas”.Segundo
o presidente da APDP, a situação global da diabetes foi muito agravada
com o aparecimento da covid-19, porque se as pessoas forem infetadas
“pioram do ponto de vista da sua compensação e agravam os seus
internamentos”.Os dados do Observatório
Nacional da Diabetes mostram isso mesmo, indicando que nos primeiros
seis meses a hospitalização para a população diagnosticada com covid-19
foi de 14,5%, enquanto nas pessoas com diabetes essa percentagem subiu
para 43,3%, o que corresponde a três vezes mais.Além
disso, das pessoas internadas com covid-19, 8,8% foram parar aos
cuidados intensivos, número que sobe para 20,3% no caso dos diabéticos. “As
pessoas devem ser testadas sempre que estão em risco”, reiterou,
sublinhando que atualmente há “métodos muito mais baratos e muito mais
acessíveis para o fazer”.No seu entender,
“é obrigação do Governo, do Ministério da Saúde, de avançar neste Dia
Mundial da Diabetes com uma palavra de esperança para as pessoas com
diabetes, uma palavra de dizer que estão presentes, e de que os cuidados
a estas pessoas devem e têm de ser mantidos”.O
Dia Mundial da Diabetes foi criado pelas Nações Unidas para tentar
fazer frente à “pandemia da diabetes”, chamada assim porque “atinge
todos os continentes” e “é uma doença com implicações enormes, atingindo
cerca de 10% da população mundial e em Portugal atingirá mais de 13%”.Antes da pandemia de covid-19, todos os dias eram diagnosticadas cerca 200 pessoas com diabetes e cerca de 500 internadas. “É
uma doença com um impacto emocional enorme porque exige da parte das
pessoas um cuidado permanente, diário, eu diria mais de hora a hora e
com impacto social grande porque é uma doença que atinge mais os
estratos com menos escolaridade, com mais pobreza, com mais desemprego,
embora possa atingir todos estratos”, salientou o especialista.Por
isso, a mensagem da APDP é que “não se pode abandonar as pessoas com
diabetes”, que precisam de ser apoiadas evitar complicações em caso de
infeção pelo novo coronavírus, disse, salientando “o papel fundamental”
dos enfermeiros, que são “o paradigma do apoiar, do cuidar e da educação
terapêutica”.