Associação de TVDE rejeita contingentes mas admite excesso de veículos ativos
4 de set. de 2024, 12:03
— Lusa/AO Online
Numa
declaração enviada à Lusa, o presidente da APTAD, Ivo Miguel Fernandes,
respondeu à sugestão do presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, que
sugeriu ao Governo, após uma reunião na terça-feira com o ministro das
Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, na Área Metropolitana do Porto (AMP),
a limitação do número de serviços TVDE nas cidades em dado momento
através das plataformas, de forma a evitar tráfego excessivo."Contestamos
a abordagem de limitar o número de veículos TVDE através de
contingentes. Esta medida terá efeitos adversos, como a redução da
oferta de serviços de transporte flexíveis e acessíveis, o que
prejudicaria os utilizadores que dependem destes serviços para a sua
mobilidade diária", pode ler-se na declaração enviada à Lusa.A
associação recorda que o serviço TVDE tem, atualmente, "um âmbito
nacional e que a legislação não prevê contingentes locais ou regionais".A
APTAD refere também que em situações de picos elevados de procura, "a
existência de um contingente comprometeria totalmente a capacidade de
resposta".A associação do setor dos TVDE
recorda também que já transmitiu, em julho, à AMP, "a sua posição e as
soluções que defende para o setor TVDE nas áreas metropolitanas".Entre
essas medidas estão a exigência às plataformas "que os veículos TVDE
registados mantenham taxas de ocupação significativas, isto é,
superiores a 70%", valor que "demonstraria que os veículos TVDE
existentes estariam a ser utilizados de forma eficiente", evitando "a
sobrecarga do mercado e do trânsito".A
APTAD recorda que já denunciou que a taxa de utilização dos veículos
TVDE registados nas plataformas "é, em 2024, inferior a 50%, o que
demonstra inequivocamente um excesso de veículos TVDE ativos nas
plataformas".A associação exigiu ainda
"que os preços das viagens de TVDE subam", algo "fundamental para
garantir uma remuneração justa para os motoristas e complementar o
efeito de não concorrer diretamente com os transportes públicos de
massa, como autocarros, comboios e metro"."O
aumento dos preços das viagens TVDE contribuiria para a dignificação do
trabalho dos motoristas, proporcionando-lhes um rendimento mais justo e
alinhado com o esforço e as horas dedicadas. Além disso, ajudaria a
equilibrar a oferta e a procura de viagens, permitindo que os motoristas
operem de forma mais sustentável e rentável", referem.Este
foi precisamente um dos pontos levantados na terça-feira por Rui
Moreira na AMP: segundo o autarca, com a limitação do número de TVDE,
"por um lado resolve-se o problema da mobilidade, permite conhecer e
mapear onde é que os TVDE estão" e "onde é que está o 'enxame'", e para
os operadores também seria "vantajoso porque não vão entrar em
'dumping'".A APTAD defendeu que "é
igualmente essencial garantir que o serviço TVDE complemente, e não
concorra diretamente com os serviços públicos de transporte", já que "a
coordenação entre os diferentes modos de transporte é fundamental para
oferecer uma solução integrada de mobilidade, beneficiando todos os
cidadãos e melhorando a eficiência global do sistema de transporte"."Com
o aumento dos preços das viagens TVDE, muitos dos atuais utilizadores
poderão regressar ao uso dos transportes públicos, utilizando o TVDE
apenas como complemento, o que também contribuirá para o
descongestionamento do trânsito nas áreas metropolitanas", vincam.A
APTAD acredita que "com a devida concertação entre todas as partes
envolvidas, é possível encontrar soluções que beneficiem tanto os
motoristas de TVDE quanto os utilizadores dos serviços, promovendo um
setor mais equilibrado e sustentável", manifestando-se disponível para
dialogar com a Câmara do Porto e AMP.