Associação de Seguradores defende seguro obrigatório para as trotinetas
3 de mai. de 2023, 19:36
— Lusa/AO Online
Galamba
de Oliveira falava em Aveiro, à margem de uma conferência sobre
“Micromobilidade Segura”, organizada pela Associação Portuguesa de
Seguradores (APS), no âmbito de um ciclo de conferências, a realizar em
diferentes locais do país, sob o tema genérico “Os seguros num mundo em
transformação”.“Há um problema de
enquadramento legal da proteção para este tipo de mobilidade, e entendo
que em Portugal temos de desenvolver e tornar obrigatório um seguro para
a mobilidade suave que, por um lado, garanta a proteção do condutor,
mas que garanta também algumas cláusulas de responsabilidade civil
perante terceiros”, advogou.Para o
presidente da APS, “há uma nova realidade a que hoje se assiste nas
cidades, com essa mobilidade muito disponível através das novas
plataformas e é preciso garantir a proteção dos cidadãos, sendo que
existe um vazio legal em termos de proteção obrigatória”.O
presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, Rui Ribeiro,
que interveio na conferência, considera que “a mobilidade suave veio
para ficar e terá é de ser regulada para que possa cumprir os seus
propósitos”A sinistralidade associada aos
novos modos suaves tem vindo a aumentar, havendo já um número
significativo de acidentes envolvendo nomeadamente as trotinetas que,
enquanto velocípedes, estão obrigadas às regras do Código da Estrada, o
que muitos utilizadores desconhecem.“Se
nós olharmos em termos de sinistralidade, os velocípedes, em que se
incluem as trotinetas, têm um peso grande: não se comparam nem com os
veículos ligeiros, nem com os peões mas, no entanto, têm consequências
relativamente graves”, chama a atenção Rui Ribeiro.O
presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária diz que o
problema se verifica mais na mobilidade partilhada, ou seja, em que a
trotineta não é propriedade de quem a conduz.A
seu ver, “trotinetas espalhadas pelas cidades de Lisboa e do Porto,
pessoas a conduzirem sem capacete, a andar em sentido contrário, a
passar com o sinal vermelho ou a andarem por cima dos passeios, pessoas
com mobilidade reduzida ou condicionadas por alguma deficiência a chocar
e a tropeçar em bicicletas e trotinetas estacionadas em cima do
passeio” são fatores que estão a suscitar um alerta da opinião pública.Rui
Ribeiro adverte que os condutores podem perder pontos na sua carta de
condução, e estão sujeitos às regras do Código da Estrada como
velocípedes, podendo até cometer crime se conduzirem sob efeito de
álcool.“Acontece que as pessoas não sabem
disto e tem de haver uma campanha de sensibilização por todos os meios,
para que entendam que têm de cumprir efetivamente o código da estrada”,
concluiu.