Associação de São Miguel contra plástico na Batalha das Limas critica Câmara
20 de fev. de 2020, 16:04
— Lusa/AO Online
"Custa ainda
acreditar que a câmara não consiga inventar uma tradição minimamente
respeitadora do ambiente. Se o objetivo é lançar água, por que não se
utilizam as pistolas ou bisnagas de água que vendem em qualquer loja de
brinquedos e que não deixam qualquer tipo de resíduo?", questiona a
associação cultural e recreativa, sediada na ilha de São Miguel, nos
Açores.Na próxima terça-feira de Carnaval
centenas de pessoas participam na marginal da cidade de Ponta Delgada na
anual Batalha das Limas, uma tradição única no país, "num combate de
água" onde os participantes, uns em camiões, e outros a pé, tentam
molhar quem passa e lutam entre si no dia do Entrudo.Este
combate de água começou por ser de flores, que posteriormente foram
substituídas por limas, ou seja, pequenos recipientes em parafina
produzidos artesanalmente para encher com água.Contudo,
as limas têm vindo a dar lugar a sacos de plástico, cheios de água, que
são utilizados como armas de combate na batalha.O
uso de sacos de plástico nesta tradição tem vindo a ser criticado por
algumas associações e organizações, tendo mais recentemente o PAN/Açores
manifestado também a sua oposição à realização do evento enquanto não
existirem alternativas ao uso do plástico.Num
comunicado enviado à agência Lusa, a associação os "Amigos do Calhau"
também lamenta a utilização dos sacos plástico na Batalha das Limas,
alertando que, após o evento, "o espetáculo é deveras desolador na
avenida" marginal, que "aparece completamente coberta de uma camada
branca de sacos de plástico rotos e encharcados"."E,
no dia seguinte, no mar, situado ali ao lado, aparecem sacos de
plástico a flutuar na superfície, consumando assim o atentado ambiental
criado por esta nova e inventada tradição", aponta a associação,
considerando que "para melhorar o ambiente às vezes bastam pequenos
gestos".A associação os "Amigos do Calhau"
critica a atuação da câmara, alegando que a autarquia "vai por um
caminho oposto", já que, "em todo o mundo, as pessoas são cada vez mais
conscientes dos problemas ambientais que são devidos à utilização dos
sacos de plástico descartáveis". "Este
ano, perante o vergonhoso espetáculo e os numerosos protestos, a câmara
municipal promete colocar uma vedação na extremidade sul da avenida para
limitar a deslocação de plástico para a zona costeira. Custa-nos
acreditar que, por trás de cada participante na batalha, vá outro
recolhendo os sacos de plástico lançados. Ou que, mesmo com uma vedação,
uma parte significativa dos sacos não acabe por chegar ao mar antes ou
depois", lê-se no comunicado.Se "o
objetivo ambiental, a nível mundial, é proibir todos os sacos de
plástico, inundar o solo da avenida com este tipo de sacos não deixa de
ser um puro ato de vandalismo, independentemente de se os sacos chegam
ou não finalmente ao mar", sublinha ainda.A associação defende que, em vez do uso de camiões na Batalha das Limas, sejam utilizadas "imaginativas carroças de carnaval"."Por
que então a câmara municipal opta agora por uma solução tão bronca e
cheia de vandalismo? Acabar com esta absurda invenção da câmara seria um
pequeno gesto, fácil, simples e eficaz, para dar mais dignidade à
cidade", sustentam. Recentemente, o
vereador da Câmara Municipal de Ponta Delgada Pedro Furtado adiantou à
agência Lusa que, tendo em conta que "não foi possível encontrar no
mercado nacional e internacional nenhuma solução" de plástico
biodegradável com "as mesmas propriedades e formato dos sacos utilizados
na batalha", as opções para este ano passam por introduzir "regras que
visam a redução do impacto ambiental" da tradição.