Associação de Municípios não se opõe à desagregação de freguesias no parlamento
14 de jan. de 2025, 12:05
— Lusa/AO Online
“Sobre
o conteúdo da iniciativa legislativa em análise, a ANMP sublinha o
papel fundamental que as freguesias assumem na resposta aos interesses e
necessidades das populações, pelo que resultando a mesma da vontade
política expressa pelas populações através dos seus legítimos
representantes, a ANMP nada tem a opor”, escreve a associação num
parecer sobre o diploma que está em análise no parlamento.Também a Associação Nacional de Freguesias (Anafre) deverá enviar ao parlamento um parecer sobre esta proposta.O
Projeto de Lei para a desagregação de freguesias agregadas em 2013,
pela chamada “Lei Relvas”, apresentado em conjunto na quarta-feira pelo
PSD, PS, BE, PCP, Livre e PAN, propõe a desagregação de 132 Uniões de
Freguesia (UF) em 296 freguesias.A lista
inclui mais oito freguesias do que as 124 que tinham sido aprovadas pelo
Grupo de Trabalho - Freguesias, visto que algumas das autarquias
rejeitadas fizeram entretanto chegar ao parlamento documentação que
comprovadamente corrigia a razão pela qual tinham sido excluídas, pelo
que os grupos parlamentares decidiram que, estando ultrapassadas as
razões do seu saneamento, deveriam ser incluídas na proposta.Até
sexta-feira, dia em que o Projeto de Lei deverá ser votado em votação
final no parlamento, mais autarquias podem ser incluídas na lista das
que vão separar-se.Entre elas deverá estar
a União de Freguesias de Buarcos e São Julião, na Figueira da Foz
(Coimbra), que estava “presa apenas pela falta de uma declaração da
Junta de Quiaios” relativamente a um território junto ao Cabo Mondego,
disse à Lusa o presidente da Associação Nacional de Freguesias, Jorge
Veloso.Outra das uniões de freguesia cuja
desagregação foi rejeitada, mas que pode agora ser incluída na versão
final do documento, é a UF de Serra e Junceira, em Tomar, anunciou o
presidente da Assembleia Municipal desta cidade do distrito de Santarém.Segundo
Hugo Costa, após uma audiência com representantes da Assembleia
Municipal de Tomar, PS e PSD anuíram num acordo de incidência
parlamentar para a aprovação da desagregação de Serra e Junceira, que
tinha sido rejeitada devido à “ausência de resposta ao pedido de
aperfeiçoamento (solicitação no âmbito do critério financeiro)” para
“esclarecer acerca da viabilidade económico–financeira” das freguesias a
repor, mas o documento foi, entretanto, entregue.As freguesias desagregadas voltam à situação administrativa em que estavam antes da fusão em 2013.Em 2013, Portugal reduziu 1.168 freguesias, de 4.260 para as atuais 3.092, por imposição da ‘troika’ em 2012.