Associação de Menopausa alerta para práticas não reguladas que ameaçam saúde das mulheres
18 de out. de 2024, 11:33
— Lusa/AO Online
O alerta foi feito por Cristina
Mesquita de Oliveira na comissão parlamentar de Saúde, onde a associação
foi ouvida a propósito do Dia Mundial da Menopausa.Na
sua intervenção, a responsável destacou um alerta feito pela Sociedade
Portuguesa de Endocrinologia Diabetes e Metabolismo, pelo Núcleo de
Estudos de Geriatria da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e pelos
colégios da especialidade de Endocrinologia e Nutrição e da Competência
de Geriatria sobre o uso de terapêuticas hormonais no âmbito da
“Medicina Anti-Ageing”“Emitiram um parecer
e um alerta em relação a este tipo de desinformação que está a
acontecer e em relação a termos usados como consultas 'anti-ageing' ou
medicina 'anti-ageing', medicina integrativa, e outras, que induzem as
pessoas em erros, que são utilizados por profissionais de saúde não
reconhecidos pelos pares em práticas não reguladas e também não
reconhecidas nem pelas ordens científicas, nem pelos pares”, salientou.Cristina
Mesquita de Oliveira alertou que estas práticas “caras e perigosas para
a saúde” estão a acontecer em Portugal, com “estratégias de marketing
agressivas”.“Aumentaram o número de cancro
do endométrio e de espessamento do endométrio. Portanto, isto é
realmente uma ameaça à saúde pública e é isto que chega às mulheres, que
estão desprotegidas e sujeitas à manipulação da desinformação, muitas
vezes propagadas por interesses comerciais”, lamentou.A
responsável salientou que o objetivo da associação é “dar voz” a estas
mulheres e “pôr fim ao silêncio que as tem deixado desprotegidas”, mas
sobretudo criar o apoio que necessitam. “Elas
enfrentam a pior das ameaças conhecidas, a indiferença, o desleixo e a
negligência mantida e reiterada quanto à sua vida pós-reprodutiva numa
sociedade impreparada para as acolher num sistema de saúde que até agora
não conseguiu responder adequadamente às suas necessidades, estando
expostas à manipulação da desinformação”, sublinhou.Observou
que há 2,8 milhões de mulheres em menopausa em Portugal, sendo que oito
em cada 10 vivem diretamente o seu impacto negativo, que as faz
percorrer especialidades médicas, “muitas das quais apenas quando têm
dinheiro para as pagar essas consultas e muitas delas sem que lhes seja
apontado um caminho coincidente com a sua condição de saúde”.Esta
realidade faz com que o sentimento “mais comum que se instala” e que as
mulheres manifestam diariamente à associação seja “o abandono”.Dirigindo-se
aos deputados, Cristina Oliveira afirmou que, “para cada desconforto
relacionado com o processo de menopausa, há uma solução validada
cientificamente, segura e eficaz e que evita doenças incapacitantes”,
mas questionou porque é que esta informação não chega aos seus
destinatários principais.Para a
associação, é urgente haver intervenções sociais e políticas de saúde
pública que reconheçam e mitiguem os impactos da menopausa na vida das
mulheres, especialmente das mais vulneráveis.Defendeu
a criação de um ambiente de trabalho que reconheça a menopausa como uma
fase natural e inevitável da vida, fornecendo esclarecimento e apoio
médico e ajustamentos laborais que permitam às mulheres continuar as
suas carreiras sem comprometer a sua saúde.A
associação propôs também a criação de políticas públicas de saúde
focadas na menopausa, aproveitando a capacidade instalada do Serviço
Nacional de Saúde, nomeadamente o alargamento das consultas de
planeamento familiar à menopausa, e a comparticipação de todos os
medicamentos prescritos por médicos para gestão dos seus impactos.