Associação de Farmácias reconhece aumento de hesitação vacinal nos últimos anos
3 de out. de 2025, 17:10
— Lusa/AO Online
“Há uma
maior hesitação vacinal que se observa mais na população mais jovem. Na
ANF temos vindo a acompanhar um corte de aproximadamente de 1.500
pessoas desde a época vacinal de 2023 e, particularmente, as questões
que colocamos são relativas à gripe e à covid-19”, adiantou Ema Paulino,
que falava na cerimónia comemorativa dos 60 anos do Programa Nacional
de Vacinação (PNV), que decorreu hoje na Fundação Champalimaud, em
Lisboa.A responsável explicou que a recusa vacinal da gripe, apesar de o aumento da hesitação vacinal, “mantém-se estável” nos 10%.“Temos
uma grande aceitação à vacina da gripe, muito embora a hesitação tenha
ganhado terreno à aceitação, mas aqueles que estão hesitantes ainda são
uma população que é possível influenciar no sentido de esclarecer
dúvidas e apoiar todas as oportunidades para poder fazer pedagogia”,
realçou.Ema Paulino, no entanto, indicou
que se verificou “um aumento para o dobro” na recusa da toma da vacina
contra a covid-19 nas idades mais jovens.“Essa
é uma realidade que nós temos de conhecer enquanto profissionais de
saúde e temos de estar preparados para no fundo atuar em conformidade”,
observou a presidente da ANF, referindo que a Direção-Geral da Saúde
(DGS) e as associações têm “produzido muitos materiais com linguagem
muito adaptada ao seu público”.Para Ema
Paulino, é importante explicar às pessoas por que é que “as redes
sociais e os motores de busca podem não ser os melhores locais para
procurar informação”.“Os algoritmos vão
fazendo uma curadoria da informação que nos é apresentada de acordo com
as nossas características. Quem acredita que o mundo é plano na rede
social do Facebook vai encontrar imensas pessoas em todo o mundo que
também acreditam. Afunila completamente o pensamento”, considerou.Na
mesa-redonda "Confiança, Mitos e Perceções da População na Vacinação e
Imunização", também a enfermeira especialista na Unidade Local de Saúde
(ULS) de Lisboa Ocidental Lurdes Costa e Silva afirmou que “as redes
sociais partilham muita informação e muita desinformação”.“Cada
vez mais os profissionais de saúde têm de estar bem fundamentados,
porque estas gerações de pais, não têm memória da doença, ou seja, não
viram a doença, não viram bem o que era o sarampo não viram o que era
uma poliomielite”, lembrou, citando a antiga diretora da DGS Graça
Freitas.Lurdes Costa disse ainda que
muitas vezes, além da hesitação vacinal, há pessoas que pedem para serem
vacinadas com determinadas vacinas. “Hoje
em dia temos uma população multicultural e temos nos nossos contextos
de prática pessoas que dizem: eu não me quero vacinar com esta vacina.
Como sabem o nosso PNV é dos mais completos complexos da Europa e do
mundo”, sublinhou. Já o presidente da
Associação de Doentes – RESPIRA, José Albino, alertou para a vacinação
em adultos, afirmando que devem estar “mais e melhor vacinados” e que
necessário combater a desinformação.“O que
se faz é tentar combater a má informação”, ressalvou, reconhecendo que
Portugal ter uma taxa de incidência “bastante boa”, apesar do aumento da
hesitação vacinal.José Albino acrescentou
que a boa taxa de adesão vacinal pode “evoluir nos adultos” e que a
RESPIRA tenta contrair a situação de fadiga, “informando melhor os seus
agentes.