Associação de Emergência Médica pede demissão do presidente do INEM
21 de jul. de 2025, 10:28
— Lusa/AO Online
“Perante a gravidade da situação e
a ausência de reformas estruturais por parte da atual liderança do
Instituto, reitera-se publicamente o pedido de demissão do Presidente do
Conselho Diretivo do INEM [Instituto Nacional de Emergência Médica],
enquanto ato de responsabilidade institucional e condição mínima para a
recuperação de confiança pública”, refere a ANTEM em comunicado. Aquela
associação considera que, “em nome do interesse público, da dignidade
da atividade pré-hospitalar e da segurança dos utentes do sistema de
saúde, qualquer inércia ou complacência nesta matéria será moralmente
indefensável e institucionalmente negligente”.No
comunicado, a ANTEM aborda sobretudo a questão da formação, começando
por dar conta do “acesso indevido, alargado e não autorizado a
enunciados e respostas de testes de avaliação do Curso de Tripulante de
Ambulância de Socorro (TAS), ‘ certificado’ e promovido pelo INEM e
setor privado”.A associação considera que a
situação, relatada com base em “informações consistentes”, “constitui
uma violação grave dos princípios estruturantes de qualquer processo
formativo com impacto direto na prestação de cuidados de emergência
médica: a ética, o rigor técnico-científico, a transparência e a
equidade”.Para a ANTEM, a “circulação
informal e acessível de instrumentos de avaliação compromete de forma
irreversível a já débil reputação do curso em causa”, pondo em causa “a
qualidade e a fiabilidade da formação de profissionais e voluntários que
integram equipas operacionais de emergência pré-hospitalar, em contacto
direto com situações críticas e de risco de vida”.Tendo
em conta o alegadamente sucedido, a associação apela ao INEM para que
promova “a suspensão imediata dos cursos a decorrer e uma auditoria
interna e externa independente, com vista à verificação da integridade
dos processos avaliativos em curso, bem como à identificação de
eventuais falhas de controlo interno e externo”. Em
dezembro, a ANTEM tinha apelado a que o curso de Tripulante de
Ambulância de Socorro (TAS) fosse “urgentemente substituído pelo
Programa de Educação de Técnico de Emergência Médica”, alegando que tal
“irá dotar 90% dos provedores de melhor educação e mais habilidades
técnicas para o desempenho da sua missão – promovendo melhores cuidados
aos cidadãos”.No comunicado de hoje, a
associação reafirma que o curso TAS “não cumpre os critérios mínimos de
validade científica, atualidade técnica ou exigência operacional,
colidindo frontalmente com os padrões de educação e treino praticados
nos principais sistemas internacionais de Serviços Médicos de
Emergência”.Em dezembro, a Inspeção-Geral
das Atividades em Saúde (IGAS) concluiu que há técnicos de emergência
pré-hospitalar no INEM que ingressam na carreira sem terem os requisitos
necessários.No projeto de relatório à
auditoria pedida pela ministra da Saúde para avaliar a legalidade e a
eficiência da gestão do INEM, a IGAS diz que o instituto não conseguiu
assegurar a realização dos cursos de formação para os Técnicos de
Emergência Pré-Hospitalar (TEPH) nos termos em que foram aprovados.Aponta,
designadamente, o prazo da realização desta formação (curso base) e a
estrutura dos estágios em ambulatório ou bloco operatório, acrescentando
que não foram concluídos todos os estágios em ambulância-escola por
falta de recursos.