Associação de Alojamento Local dos Açores pede maior combate à sazonalidade
16 de out. de 2024, 17:30
— Lusa/AO Online
“Torna-se urgente assegurar um
fluxo turístico contínuo ao longo de todo o ano, sendo, no entanto,
necessário um maior investimento e planeamento antecipado, para que
todas as ilhas possam beneficiar de forma justa e equilibrada, através
de uma distribuição de fluxos turísticos mais cuidada”, afirmou o
presidente da associação, João Pinheiro, em comunicado de imprensa.A
secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta
Cabral, anunciou na semana passada que a operação de promoção turística
dos Açores para a época baixa 2024/2025 representa um investimento de
2,5 milhões de euros, estando previsto um aumento de 7.826 lugares nas
ligações para o arquipélago.Para o
presidente da ALA, as medidas anunciadas são “um passo positivo na
criação de estabilidade no setor”, mas poderão não ser suficientes.“A
ALA alerta que estas medidas podem ter chegado tarde, para algumas
empresas, acrescentando ainda que o valor disponibilizado pelas medidas é
insuficiente para combater eficazmente os reais desafios da
sazonalidade”, apontou João Pinheiro.A
associação destacou o crescimento homólogo de 14,9% nas dormidas em
alojamento local nos primeiros oito meses do ano, que ultrapassaram a
marca de 1,28 milhões, alegando que representa “uma recuperação
sustentável e uma procura crescente pelo destino Açores”.“Este
marco reflete a solidez e o desenvolvimento contínuo do setor,
impulsionado pelos turistas oriundos do estrangeiro, que contribuíram
com 997,6 mil dormidas (um aumento de 16,4% face a 2023), enquanto os
turistas nacionais geraram 287 mil dormidas (um crescimento de 9,8%)”,
frisou o presidente da ALA.João Pinheiro
considerou que os dados, revelados na terça-feira pelo Serviço Regional
de Estatística dos Açores, “vêm reforçar ainda mais a importância do
setor do AL para o turismo nos Açores, uma vez que a capacidade da
hotelaria tradicional nunca conseguiria assegurar, por si só, o número
total de hóspedes e dormidas que se registaram nos Açores, até ao final
de agosto”.“Esta importância, assumida
pelo AL, reflete-se também na alavancagem da economia dos Açores, de
forma direta (rendimentos de cada AL) e também de forma indireta, com
todo o tipo de serviços a que os hóspedes dos AL recorrem (transporte,
restauração, animação turística, etc.)”, sublinhou.O
presidente da ALA alertou, no entanto, para a necessidade de reforço de
fiscalização, lembrando que os dados do SREA indicam que 12% dos
estabelecimentos de alojamento local dos Açores “não reportaram qualquer
movimento de hóspedes” no mês de agosto.Segundo
João Pinheiro, estes números podem indicar que estes estabelecimentos -
489 unidades e 2.773 camas - “deixaram de estar no mercado”.“A
ALA apela à implementação de medidas de fiscalização adequadas, pelas
entidades competentes, de forma a garantir que os números do setor
refletem, de facto, a realidade exata do AL nos Açores, não dando a
ideia errada de que há estabelecimentos abertos e camas disponíveis, que
não receberam um único hóspede”, reforçou.O
presidente da ALA destacou a subida de 4,9% da estada média, que
atingiu as 3,8 noites em agosto, e o crescimento de 3,7% no número de
hóspedes, para um total de 77 mil, no mesmo mês.São
Miguel, a maior ilha do arquipélago, continua a ser a que apresenta um
maior número de dormidas em alojamento local, tendo registado 180,4 mil
em agosto (61,6% do total).No entanto, a
ALA realçou o “crescimento muito significativo” de outras ilhas, como
Flores (35,4%), Terceira (20,1%) e Pico (11,3%), alegando que comprova
“um crescimento mais equilibrado entre as diferentes ilhas do
arquipélago”.