Associação de Adeptos saúda proposta de democratização de bebidas alcoólicas nos estádios
3 de out. de 2025, 12:41
— Lusa/AO Online
“Em bom rigor a venda
de bebidas de teor alcoólico nos estádios é permitida. Só não é em todas
as bancadas, porque nos camarotes ou nas zonas VIP não só há bebidas de
baixo teor alcoólico como de todos os teores, nomeadamente vinho”,
afirmou em declarações à agência Lusa.A
reação da APDA surge após o presidente da Liga Portuguesa de Futebol
Profissional (LPFP), Reinaldo Teixeira, ter afirmado que
mantém conversações com o Governo sobre a venda de bebidas de baixo teor
alcoólico nos estádios.Martha Gens
recorda que a própria lei já consagra e permite a venda de bebidas
alcoólicas em zonas próprias para o efeito e o que agora é proposto pela
Liga, e que exige a adequação dos seus regulamentos, “é o seu acesso
genérico, a democratização do seu acesso” a todos os adeptos.“A
questão [como é apresentada pela LPFP] parte de uma premissa errada,
populista, mas errada. Porque na verdade [o acesso a bebidas de vários
teores alcoólicas] é permitido, só não é permitido a todos”, esclarece a
presidente da APDA.De acordo com Martha
Gens, que considera que “a questão está mal apresentada pela LPFP”, o
que está em causa não é permitir que se beba bebidas de baixo teor
alcoólico, mas sim que se possa beber em todos os setores dos estádios e
que estas estejam ao alcance dos vulgares adeptos.“Isto
[venda de bebidas de baixo teor alcoólico em zonas específicas dos
recintos desportivos] está em lei e para nós não é uma prioridade. Não
somos contra, somos a favor, porque ajuda a uma série de coisas”,
justificou Martha Gens.A responsável
sustenta a sua posição com o facto de entender que quando se melhora o
pilar hospitalidade nos recintos desportivos, todos os restantes,
nomeadamente os relacionados com a segurança, são automaticamente
ajustados e melhorados.“Se nós promovemos
melhores medidas de hospitalidade para os adeptos os outros pilares vão
deixar de ser tão acutilantemente necessários. Se nós promovemos o
acesso democrático a bebidas de baixo teor alcoólico promovemos que não
haja diferenciação entre adeptos de primeira e de segunda”, defende. Para
Martha Gens a adoção desta medida permite ainda que as pessoas entrem
atempadamente nos recintos desportivos, evitando o que vê todas as
semanas, e promove o combate ao consumo de bebidas nas imediações, que
faz com que os adeptos entrem nos estádios com níveis de álcool no
sangue superiores ao desejado.“Só há
benefícios e, depois, os clubes podiam explorar isso a seu favor. Se
formos a um estádio como o do Bayern Munique a cerveja custa cinco ou
seis euros. Claro que só bebe quem quer, mas ao menos há”, acrescenta a
presidente da APDA.Martha Gens sustenta
que “há todo um leque de vantagens” suportado por esta medida, que
coloca a hospitalidade ao adepto no centro e que “faz com que tudo o
resto acabe por correr muito melhor, num processo em que só há
vantagens”.“Somos a favor, mas não é uma
prioridade para nós. Eu prefiro que na casa de banho das mulheres haja
papel higiénico ou um fraldário. Ou que seja melhorado o sistema de
segurança à entrada nos recintos, para que não se revistem crianças de
três anos”, adianta.A presidente da APDA
refere ainda que “para a liga portuguesa ser considerada uma boa liga
não depende apenas de jogar bom futebol” e recorreu ao exemplo dos
suecos, “que têm um péssimo futebol e raramente estão representados nas
competições europeias”, mas que “têm excelentes adeptos”.O
assunto foi levado pelo Vitória de Guimarães à reunião magna de
terça-feira, em que o clube lembrou que, em ligas como a inglesa, alemã
ou holandesa, a venda de cerveja e sidra nos estádios representa
receitas que podem ascender a centenas de milhares de euros por jogo.Em
Portugal, considerou o clube, os adeptos acabam por consumir no
exterior, em condições menos controladas, bebidas de maior teor
alcoólico, o que “incrementa o risco de violência no espaço público”.Nesse
sentido, os vimaranenses propuseram que a Liga e os clubes subscrevam
uma petição pública a apresentar à Assembleia da República, pedindo a
legalização regulada da venda em todas as bancadas dos estádios.