Associação contesta na Justiça vinculação de avaliação de juízes a produtividade
Hoje 17:23
— Lusa/AO Online
"A
produtividade é um dos fatores que a lei manda considerar na avaliação
dos juízes. Não é, contudo, o único, nem pode ser transformada, através
da fixação abstrata de limiares quantitativos, num critério vinculativo
para a atribuição das diferentes classificações", justifica a direção
nacional da ASJP num comunicado distribuído hoje aos associados, a que a
Lusa teve acesso.Em causa estão dois
despachos recentes do Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e
Fiscais (CSTAF) que fixam Valores Processuais de Referência (VPR),
atribuindo-lhes, segundo a associação sindical, "efeitos que não
resultam da lei e que colidem com a avaliação global e contextualizada
imposta pelo Estatuto dos Magistrados Judiciais e pelo Regulamento de
Inspeções".Em 20 de julho, o CSTAF
invocou, numa nota de imprensa, a Lei de Organização do Sistema
Judiciário para definir os VPR, "calculados em abstrato por tribunal,
secção e subsecção especializada, e revistos com periodicidade trienal".Com
as providências cautelares, a ASJP, liderada por Nuno Matos, pretende
também travar um outro despacho do CSTAF que proíbe os juízes dos
tribunais administrativos e fiscais de incluírem imagens de texto em
decisões judiciais.Na deliberação, a que a
Lusa teve acesso, o órgão de gestão e disciplina dos juízes justifica o
impedimento com o facto de aquelas imagens constituírem "fonte de
acrescidas dificuldades" para o tratamento das sentenças no Tribunal de
Justiça da União Europeia, mas, sustenta a ASJP, a proibição geral não é
legalmente permitida."Ao submeter estas
matérias à apreciação dos tribunais, a ASJP não atua numa lógica de
confronto institucional. Cumpre as suas atribuições de defesa da
independência dos juízes, da legalidade e transparência dos
procedimentos, da dignificação do poder judicial e da qualidade da
justiça", salienta a direção nacional da associação sindical.