Associação avisa que falta de ´kits' põe em causa prevenção de cancro do cólon e reto
14 de jul. de 2025, 12:28
— Lusa/AO Online
Em comunicado, a USF-NA lembra que
estes 'kits’ são essenciais para que os utentes com resultado positivo
façam o exame necessário (colonoscopia) num hospital do Serviço Nacional
de Saúde (SNS) e avisa que muitas unidades não têm sequer previsão de
normalização do fornecimento. Apesar de
ser possível pedir diretamente a pesquisa de sangue oculto nas fezes a
um laboratório fora do SNS, no setor convencionado, a USF-AN diz que
“este circuito alternativo não garante a realização de colonoscopia num
hospital do SNS” e avisa que este exame fora de um hospital público
”pode demorar muitos meses”. “Acresce,
ainda, que este circuito alternativo representa custos importantes e
adicionais para o SNS, o que significa uma duplicação de custos e má
gestão financeira”, acrescenta. Na nota
hoje divulgada, a USF-AN insiste que estes ‘kits’ são “material clínico
indispensável à prestação de cuidados de saúde primários em segurança e
com qualidade”, no âmbito do rastreio da doença oncológica e que a sua
inexistência “representa um constrangimento sério” à atividade
assistencial das equipas.Diz ainda que a
falta destes 'kits' compromete o cumprimento das normas e orientações
clínicas em vigor, “com risco direto para a segurança dos utentes e
erosão da confiança nos serviços de saúde”. Por
outro lado, “há uma grande assimetria no país”, exemplificando que,
nalgumas ULS, os utentes recebem os ‘kits’ diretamente nas suas casas,
mas, noutras, têm de ser entregues nas unidades de saúde, ocupando tempo
dos profissionais de saúde.A USF-AN exige
ainda um “esclarecimento público e célere” das administrações das ULS
afetadas, da Direção Executiva do SNS e do Ministério da Saúde quanto
aos motivos que levaram à rutura de ‘stock’ e à ausência de reposição
atempada deste material e pede um plano de contingência para reposição
urgente.Pede igualmente a revisão urgente
dos contratos públicos de aquisição de material clínico, com reforço da
autonomia das ULS para aquisição direta em caso de falha do fornecedor
central, e a inclusão das associações profissionais representativas das
equipas nos fóruns de planeamento logístico e avaliação de riscos
operacionais.Portugal tem em vigor três rastreios de base populacional: cancro da mama, cancro do colo do útero e cancro do cólon e reto.Dados
do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas (PNDO) divulgados este
ano revelaram que o rastreio do cancro do cólon e reto tem com uma
cobertura geográfica, por unidade funcional, de 89% no território
continental e de 100% nos Açores. Com uma população elegível média de
cerca de 1,5 milhões de utentes/ano, a taxa de cobertura em 2023 foi de
32% e a taxa de adesão a este rastreio aumentou para 53,5% face a 2022
(41%), com um total de 277.540 utentes rastreados (270.365 no Continente
e 7.175 nos Açores).Dos utentes rastreados, em Portugal continental e nos Açores, 685 foram referenciados para cuidados hospitalares.Em
2023, a Região Autónoma da Madeira iniciou um programa piloto deste
rastreio, com uma cobertura geográfica de 8% dos centros de saúde da
região, tendo sido rastreadas 85 utentes.No
documento divulgado em fevereiro, o PNDO assume que, nos próximos anos,
será essencial melhorar os sistemas de informação que suportam as
atividades de rastreio, considerando que a partilha de informação entre
os sistemas de monitorização dos rastreios e o Registo Oncológico
Nacional (RON) "é essencial para uma visão completa de todo o processo”.O
cancro é a principal causa de morte dos cidadãos da União Europeia (UE)
com menos de 70 anos e a segunda causa de morte quando considerados
todos os cidadãos da UE.