Associação alerta para trabalho precário de muitos assistentes sociais

13 de mar. de 2016, 11:50 — Lusa / AO online

  O alerta de Joaquina Madeira surge nas vésperas da comemoração do Dia Mundial do Serviço Social, que se assinala a 15 de março, uma data que considera "importante para homenagear uma profissão que está na primeira linha da ajuda às pessoas", em situação de pobreza e exclusão social. Em declarações à agência Lusa, a presidente da APSS afirmou que "há muitos profissionais do serviço social que estão a trabalhar em condições precárias, sem verem garantidos os seus direitos". "Uma pessoa que se sente maltratada ou não se sente dignificada no seu trabalho" corre o risco de não conseguir exercer bem a sua profissão", advertiu a responsável, sublinhando que este é um fator que é preciso ter em conta, quando se pede tudo a estes profissionais. Segundo Joaquina Madeira, a função destes profissionais nem sempre é compreendida: o assistente social "estará sempre ao lado" das pessoas que estão a ser atingidas por problemas de pobreza, exclusão social, de maus-tratos e, "às vezes, isso pode ser mal interpretado nas próprias instituições de enquadramento". "O assistente social tem de exercer a sua missão com liberdade e com responsabilidade e, às vezes, ele próprio sofre pressões da parte das organizações em que está enquadrado", sustentou a responsável. Para Joaquina Madeira, "a maior problemática" que o assistente social terá de enfrentar "é a sua impotência, a limitada capacidade de poder ajudar as pessoas". Sobre o trabalho destes profissionais no terreno, a responsável disse que é "exigente, desgastante, mas muito importante", porque estão no primeiro nível da ajuda às pessoas. "Como o assistente social é o primeiro agente que está junto das pessoas, quando algo não corre bem - e não podemos garantir nunca que tudo corre bem - é sempre o primeiro responsável", lamentou. Ressalvando que "não se pode errar com pessoas", a responsável disse que os assistentes sociais "são pessoas e podem errar, mas a maior parte das vezes o erro não é só dele". Eles não podem intervir sozinhos no acompanhamento e no apoio às pessoas, "têm de agir num contexto mais alargado, tanto profissional, como institucional", frisou. Em Portugal existem cerca de 15.000 assistentes sociais, sendo que a maioria trabalha na administração pública (saúde, justiça, segurança social, educação), nas Instituições Particulares de Solidariedade Social e Misericórdias Segundo Joaquina Madeira, é uma profissão que tem vindo a crescer em termos de números e de áreas de intervenção. "Infelizmente, enquanto houver problemas sociais, existirão assistentes sociais, mas também é importante que existam, numa perspetiva de prevenção, de trabalho comunitário e de educação para comportamentos sociais corretos", defendeu.