Associação Agrícola de São Miguel alerta para erro de eventual desinvestimento no setor
5 de set. de 2025, 18:50
— Lusa/AO Online
“Vão-se retirar verbas
de vários setores para a Defesa e penso que se está a cometer um erro
gravíssimo. Desinvestimento na agricultura é desinvestir na Defesa.
Políticos que não sabem que a melhor Defesa que qualquer país pode ter é
a sua alimentação, não servem. Não merecem o cargo que ocupam”, afirmou
Jorge Rita, na cerimónia comemorativa dos 50 anos da Associação
Agrícola de São Miguel, realizada em Rabo de Peixe, no concelho da
Ribeira Grande, em São Miguel.Para Jorge
Rita, que preside há 23 anos à associação, trata-se de um desafio para
todos os governantes, num momento em que, “também a Europa está
baralhada e a ficar completamente isolada no meio de tudo”.Referindo-se
à resiliência do setor durante a pandemia de covid-19, Jorge Rita
sublinhou que “quando tudo parou” a “agricultura continuou a trabalhar, a
produzir, a exportar, a valorizar e a alimentar”.“A agricultura é um setor de atividade que está sempre pronto a ajudar a economia da região”, reforçou o dirigente associativo.Durante
o seu discurso, Jorge Rita destacou também os momentos marcantes da
organização, os seus fundadores, dirigentes associativos e funcionários.“A minha grande homenagem vai também para os agricultores, os grandes resilientes”, vincou.Presente
na cerimónia, o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal
(CAP), Álvaro Moura, alertou para o contexto internacional de
"instabilidade".“Nunca se viu uma
instabilidade parecida à situação atual. Há um desafio enorme no próximo
ano e meio para discutir o que será o próximo orçamento da União
Europeia e o que será o apoio à nova Política Agrícola Comum”, disse
Álvaro Moura, apelando à união entre estruturas associativas e às
autoridades políticas para a defesa dos agricultores.O
presidente da CAP deixou também um apelo ao presidente do Governo
Regional, José Manuel Bolieiro, no sentido de "uma articulação muito
forte com o Governo da República" para evitar cortes no POSEI, mas
sobretudo para garantir a manutenção das regras."Temos
de conseguir preservar as regras que existem hoje, sob pena de o
dinheiro depois se escapar por buracos que ninguém faz ideia", sublinhou
Álvaro Moura.O presidente da CAP
sustentou também que "os agricultores não querem tomar as decisões
políticas", porque "isso compete aos governantes eleitos"."O
que queremos é ser ouvidos previamente", reiterou o dirigente da CAP,
que disse ser "um enorme honra" para a Confederação ter como uma das
suas associadas a Associação Agrícola de São Miguel.