Associação Agrícola da Ilha Terceira diz que aumento do preço do leite é "bem-vindo"
16 de dez. de 2021, 16:07
— Lusa/AO Online
“O
aumento é bem-vindo. Não colmata todos os aumentos que houve em termos
de rações e de combustíveis, que é transversal a todos os consumíveis
das explorações agrícolas. Como nós indicámos há algum tempo, o aumento
tinha de ser entre cinco e seis cêntimos, mas percebemos que é
bem-vindo”, afirmou, em declarações à Lusa, o presidente da AAIT, José
António Azevedo.Em
novembro, os lavradores da ilha Terceira saíram à rua, numa marcha
lenta com cerca de uma centena e meia de carrinhas e tratores agrícolas,
em protesto pelos preços pagos aos produtores do leite e da carne.Na
sua página da internet, a cooperativa agrícola Unicol, que tem sócios
nas ilhas Terceira e Graciosa, revela que, “a partir do dia 01 de
janeiro”, as tabelas do preço do leite pago ao produtor “sofrerão um
aumento de três cêntimos por litro, entre acréscimos no preço base e na
valorização dos sólidos”.“Atenta
a conjuntura particularmente difícil que o setor dos laticínios está a
atravessar, com fortíssimos aumentos dos custos de produção, quer para a
lavoura, quer para a indústria, que terão forçosamente de ter
repercussão nos preços de venda dos produtos acabados, os conselhos de
administração da Pronicol, Produtos Lácteos S.A., e da Unicol,
cooperativa agrícola, num esforço de incremento da sustentabilidade de
toda a fileira, deliberaram proceder a uma atualização dos preços a
pagar ao produtor”, lê-se na publicação.O
mais recente aumento do preço do leite na Unicol tinha ocorrido em
outubro e tinha ficado abaixo de um cêntimo por litro de leite (0,63).Para
José António Azevedo, a medida “peca por tardia”, porque desde março
que o preço das rações e de outros consumíveis das explorações agrícolas
tem vindo a aumentar, mas é um sinal de que a indústria percebeu que
“não havia forma de continuar a produzir com os preços que eram
praticados”.“É
de louvar e é um sinal positivo, apenas peca um bocadinho por tardio,
mas até é um sinal significativo de que se aperceberam das dificuldades
que os produtores estavam a passar”, afirmou.O
presidente da AAIT ressalvou, no entanto, que o acordo com o Governo
Regional para implementar um apoio à redução da produção tem de
“continuar de pé”, porque o aumento anunciado não colmata a inflação nos
consumíveis.“O
leite tinha de subir entre cinco a seis cêntimos, para colmatar todos
os aumentos nos fatores de produção e nos consumíveis das explorações.
Três cêntimos é positivo, mas [tem] que haver mais algum acerto ou os
produtores terão de fazer contas à vida e ponderar se é preferível
reduzir alguma percentagem de produção”, acrescentou.José
António Azevedo disse que só quando for publicada a nova tabela os
produtores poderão “perceber bem a dimensão do aumento”, porque os três
cêntimos anunciados vão refletir-se no preço base e nos sólidos, mas o
preço médio deverá aproximar-se dos 30 cêntimos por litro de leite.O
dirigente agrícola lamentou, no entanto, que tenha aumentado o “fosso”
entre o valor pago na Terceira e na Graciosa pela Pronicol e no
continente pela Lactogal, que detém 51% da fábrica terceirense.“Mais
uma vez os aumentos não foram equitativos na região e no continente”,
frisou, alegando que a diferença de preços ronda os seis cêntimos.“Não consigo encontrar explicação que justifique esse aumento do diferencial”, acrescentou.