Assistentes pedem julgamento para Rui Pinto e o advogado Aníbal Pinto
Football Leaks
18 de dez. de 2019, 17:12
— Lusa/AO Online
A instrução, fase facultativa
que visa decidir por um juiz de instrução criminal se o processo segue e
em que moldes para julgamento, foi requerida pela defesa dos dois
arguidos no processo: Rui Pinto e o seu antigo advogado Aníbal Pinto,
por envolvimento na alegada tentativa de extorsão ao fundo de
investimento Doyen.O Ministério Público
(MP) acusou Rui Pinto de 147 crimes, 75 dos quais de acesso ilegítimo,
70 de violação de correspondência, sete deles agravados, um de sabotagem
informática e um de tentativa de extorsão, por aceder aos sistemas
informáticos do Sporting, do fundo de investimento Doyen, da sociedade
de advogados PLMJ, da Federação Portuguesa de Futebol e da
Procuradoria-Geral da República, e posterior divulgação de dezenas de
documentos confidenciais destas entidades.No
debate instrutório, Sofia Ribeiro Branco, advogada do fundo de
investimento Doyen, que se constituiu assistente no processo, corroborou
as alegações da procuradora do Ministério Público (MP), pedindo que Rui
Pinto e Aníbal Pinto sejam pronunciados nos exatos termos da acusação
do MP.A advogada deu os exemplos do
australiano Julian Assange, fundador do portal Wikileaks, que revelou
segredos de Estado dos Estados Unidos, em grande escala, e de Edward
Snowden, o norte-americano que denunciou as práticas de espionagem da
Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA, sublinhando que ambos “não
se esconderam atrás do anonimato”, como fez Rui Pinto, considerando
“ilegitima” qualquer comparação.“Rui Pinto
é um ‘hacker’, simplesmente isto. Rui Pinto não prestava serviço para
nenhumas das entidades que espiou. Os comportamentos de Rui Pinto não
podem ser aceites e muito menos incentivados”, vincou Sofia Ribeiro
Branco.A advogada defendeu que o arguido
não é um ‘whistleblower’ (denunciante), mas alguém que procurou “doações
generosas” pela sua atuação, acrescentando que neste processo foi
possível às autoridades “encontrar a pessoa por trás do computador, por
trás da intrusão”.A defesa dos advogados
que trabalhavam à data dos factos na sociedade PLMJ, pugnaram igualmente
pela pronúncia de Rui Pinto nos exatos termos da acusação do MP,
destacando a “gravidade extraordinária” da sua conduta, ao expor
publicamente as caixas de correio e informações de clientes e
colaboradores desta sociedade de advogados.A
advogada do Sporting, que também se constituiu assistente no processo,
“prescindiu” do direito de alegar nesta fase de instrução.O
advogado da Ordem dos Advogados alegou breves minutos, considerando
“inequívocos” os acessos ilegítimos, razão pela qual pede que o processo
nos termos em que está. Também o advogado
da Federação Portuguesa de Futebol pediu que a juíza de instrução
criminal Cláudia Pina leve a julgamento os arguidos pelos factos que
constam da acusação do MP.A tentativa de
extorsão diz respeito à Doyen (de entre 500 mil e um milhão de euros),
levada a cabo por Rui Pinto, em outubro de 2015, com a intermediação do
advogado Aníbal Pinto, com a contrapartida de o criador do Football
Leaks não revelar documentos confidenciais deste fundo de investimento.Esse
encontro presencial aconteceu numa estação de serviço da autoestrada
A5, em Oeiras, entre Nélio Lucas, representante legal da Doyen Sports, e
Aníbal Pinto, à data advogado de Rui Pinto.