Assinado despacho que reconhece seca severa ou extrema e permite acionar medidas
Seca
3 de mar. de 2022, 18:01
— Lusa/AO Online
“Assinei ontem mesmo
[quarta-feira] o despacho através do qual reconhecemos a existência de
seca severa e extrema” em quase todo país, anunciou a ministra da
Agricultura, no debate que contou também com a participação do ministro
do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, sobre a
situação de seca em Portugal, na Comissão Permanente da Assembleia da
República.Segundo a governante, a
assinatura do despacho “permite hoje já termos na rua medidas
significativas” para fazer face aos efeitos da seca em que Portugal se
encontra e que afeta os agricultores.Questionado
pela Lusa, fonte oficial do Ministério da Agricultura adiantou que o
despacho deverá ser publicado entre hoje e sexta-feira, mas produz
efeitos à data da sua assinatura.O
Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) anunciou, em 21 de
fevereiro, que mais de 90% do território estava em 15 de fevereiro em
seca severa ou extrema, indicando um novo agravamento da situação de
seca meteorológica no país.O último
boletim de seca indica valores de percentagem de água no solo inferiores
ao normal em todo o território, com as regiões Nordeste e Sul a
atingirem valores inferiores a 20%, com “muitos locais a atingirem o
ponto de emurchecimento permanente”.Questionada
pelos deputados sobre o atraso no despacho, Maria do Céu Antunes
apontou que são precisos dois meses de seca para a definir como “severa”
ou “extrema”, o que só aconteceu no final de fevereiro.Na
quarta-feira, decorreu um Conselho de Ministros extraordinário dos
Estados-membros da União Europeia, no qual, segundo a ministra, Portugal
pediu para assinar “medidas excecionais e temporárias” para fazer face
aos impactos da seca, do aumento dos custos de produção e da guerra na
Ucrânia.Questionada reiteradas vezes por
vários deputados sobre o valor dos apoios, quando chegam e a quem se
destinam, Maria do Céu Antunes disse que também esperava ter obtido
respostas na reunião de quarta-feira, para poder apresentar hoje, mas a
Comissão Europeia remeteu as respostas para segunda-feira.“A
Comissão Europeia, ontem [quarta-feira] em Conselho de Ministros
extraordinário, comprometeu-se até segunda-feira da próxima semana a ter
medidas financeiras, técnicas que ajudem os agricultores a ter uma
resposta cabal aos problemas”, realçou a governante.“O
apoio que nós esperamos dar - cheque na mão – […] será dado logo que
possível, temos a medida desenhada, mas esperamos autorização da
Comissão Europeia para esse efeito”, acrescentou Maria do Céu Antunes.Segundo
a ministra, Portugal apresentou à Comissão Europeia, juntamente com
Espanha, propostas que passam pelo aumento das percentagens de
adiantamento dos fundos que os agricultores recebem em outubro, pela
autorização para usar áreas que estejam em pousio para o pastoreio e
pelo apoio direto aos agricultores.A
governante lembrou que o setor agropecuário é o mais afetado pela crise,
tendo necessidade de fazer face ao aumento de 53% do preço das rações,
no espaço de um ano.Por fim, Maria do Céu
Antunes lembrou que a Ucrânia é um dos países fornecedores de cereais e
oleoginosas a Portugal com o que qual não se poderá contar, devido ao
conflito com a Rússia.