Assembleias municipais pedem “mais poder” e conhecimento sobre decisões das câmaras
17 de mai. de 2023, 16:47
— Lusa
“O que temos dito é que falta
muito em Portugal. Está-se a mexer na lei por causa da descentralização e
eu espero, sinceramente, que aproveitemos esta oportunidade para fazer
aquilo que temos andado a chamar a atenção: os processos decisórios nas
câmaras não são muitas vezes comunicados com detalhe, com
especificidade, às assembleias municipais”, disse o responsável à
agência Lusa, na cidade da Praia, onde chefia uma delegação da ANAM que
está de visita oficial a Cabo Verde.O
também presidente da Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia salientou
que o papel fiscalizador das assembleias, como acontecerá com qualquer
outra entidade que fiscalize, depende de ter conhecimento das matérias
que é suposto fiscalizar.“É preciso ter
mais poder e é preciso também ter mais órgãos de apoio, nomeadamente
para se conseguir perceber a grandeza e a especificidade de algumas
questões”, pediu, após ser questionado sobre os casos de autarcas e
ex-autarcas investigados e acusados em Portugal.Apesar
de reconhecer que as autarquias estão a ser muito escrutinadas em
Portugal, Albino Almeida, que preside à Assembleia Municipal de Vila
Nova de Gaia desde 2013, notou que “a maior parte dos casos não dão em
nada”.“Infelizmente, há uns que dão, mas
aí, mais uma vez, é a perceção que é preciso dar à comunidade: que se
vem um estrangeiro e quer investir no nosso território, partindo do
princípio que não mora lá ninguém a não ser o vereador do Urbanismo, às
vezes as populações queixam-se e, às vezes, infelizmente, há motivos
para reparos”, considerou, entendendo, por isso, que é preciso
“esclarecer sempre tudo ao povo”.“O povo,
como se dizia antigamente, nunca se engana todo ao mesmo tempo e de uma
vez. Portanto, tentar isso é asneira. O que devemos fazer é esclarecer o
povo sempre, todas as vezes e com o detalhe que for preciso para não
haver dúvidas sobre as decisões dos políticos, porque é isso que inquina
estas coisas”, concluiu Albino Almeida.No
âmbito do inquérito principal da Operação Babel foram detidos, na
terça-feira, o vice-presidente do município de Gaia, Patrocínio Azevedo,
que tem o pelouro do Planeamento Urbanístico e Política de Solos,
Licenciamento Urbanístico, Obras Municipais e Vias Municipais, “suspeito
de receber luvas de mais de 120 mil euros através do seu advogado [João
Lopes]”, também detido, “que faria a ponte com os dois empresários do
ramo imobiliário, igualmente detidos”, segundo a Polícia Judiciária.Foram
também detidos o diretor-executivo e fundador do Grupo Fortera, Elad
Dror, e Paulo Malafaia, que já o havia sido, em janeiro deste ano, no
âmbito da Operação Vórtex, mas que saiu em liberdade após a prestação de
uma caução de 60 mil euros, e ao abrigo da qual o ex-presidente da
Câmara de Espinho Miguel Reis se encontra em prisão preventiva.Foram
também detidos dois funcionários da câmara do Porto, um deles chefe de
uma divisão da área urbanística e outro com ligações a esta divisão, e
Amândio Dias, técnico superior da Direção Regional de Cultura do Norte.