Assembleia Nacional francesa admite moção sobre destituição de Macron
17 de set. de 2024, 17:49
— Lusa/AO Online
A
esquerda fez valer a sua maioria na mesa parlamentar, que aceitou que a
Comissão de Direito analisasse a moção do LFI por 12 votos contra 10.A moção conta com o apoio dos 72 deputados do LFI e de nove outros membros eleitos ligados aos grupos ecologista e comunista.O Partido Socialista decidiu não se associar à proposta de resolução, segundo a agência francesa AFP.Se
a comissão desse luz verde, seria necessária uma maioria de dois terços
na Assembleia Nacional para destituir Macron, o que parece muito
improvável, uma vez que a esquerda está em minoria na comissão e no
hemiciclo.Nas últimas semanas, várias
personalidades, entre as quais o antigo presidente socialista François
Hollande e a dirigente ecologista Marine Tondelier, manifestaram
publicamente reservas quanto ao processo de destituição.A
Assembleia deverá voltar a reunir-se em 01 de outubro, a menos que
Macron convoque uma sessão extraordinária no final de setembro.Essa
possibilidade depende da nomeação do governo de Michel Barnier, ao qual
a esquerda já prometeu apresentar uma moção de censura.O
LFI, que esteve de mãos dadas com os socialistas da Nova Frente Popular
nas últimas eleições legislativas, aplaudiu a admissão da moção nas
redes sociais.Voltou também a apelar a manifestações contra Macron por causa da nomeação do conservador Michel Barnier como primeiro-ministro.“Onde há vontade, há um caminho”, proclamou o deputado e ex-candidato presidencial Jean-Luc Mélenchon.A
líder parlamentar do LFI, Mathilde Panot, considerou tratar-se de “um
dia histórico”, segundo a estação de rádio Franceinfo, citada pela
agência espanhola Europa Press.Não há precedentes na V República para que uma sessão plenária do parlamento possa sequer debater uma moção desta magnitude.A
líder do partido de extrema-direita Rassemblement National, Marine Le
Pen, denunciou uma “manobra de fumo e espelhos” da extrema-esquerda para
“tentar fazer esquecer os seus muitos compromissos com o governo
Macron”.No campo do Presidente, o antigo
primeiro-ministro e líder dos deputados da Renascença, Gabriel Attal,
criticou a iniciativa, que considerou como “uma declaração de guerra” às
instituições da República.Attal descreveu os autores da moção como “agentes de desestabilização permanente”.