Assembleia Municipal de Lisboa prolonga suspensão de novos registos de alojamento local
7 de mai. de 2025, 12:40
— Lusa/AO Online
Depois
de a câmara ter aprovado na quarta-feira a proposta do PS para
prolongar a suspensão de novos registos de alojamento local (AL), o
documento foi submetido a votação dos deputados municipais, sob caráter
de urgência, tendo sido viabilizado com os votos contra de IL, Chega e
Margarida Penedo (ex-filiada do CDS-PP), e a abstenção de PSD, MPT,
CDS-PP e Jorge Nuno Sá (eleito do extinto Aliança).Votaram
a favor os deputados de BE, Livre, PEV, PCP, PS e dois independentes
dos Cidadãos Por Lisboa (eleitos pela coligação PS/Livre).Na
reunião de câmara de quarta-feira, a proposta do PS foi viabilizada em
detrimento de uma outra apresentada pela liderança PSD/CDS-PP (que
governa sem maioria absoluta), ainda que ambas tivesse o mesmo objetivo,
mas com diferente fundamentação.Em causa
está o prolongar da "suspensão imediata" da autorização de novos
registos de estabelecimentos de AL, "por um novo prazo de seis meses",
até à entrada em vigor da alteração ao Regulamento Municipal do AL.Uma
das condições para a aplicação da medida é que o município, no seu
todo, apresente um rácio "igual ou superior a 5%", o que se verifica
atualmente, com o concelho a registar um rácio de 7,2%. Além disso,
aplica-se nas freguesias onde se verifique um rácio entre o número de
estabelecimentos de AL e o número de fogos habitacionais existentes
"igual ou superior a 2,5%".Na Assembleia
Municipal de Lisboa (AML), a deputada do PS Carla Madeira afirmou:
"Nunca o direito à habitação, consagrado no artigo 65.º da Constituição
da República Portuguesa, esteve tão em risco como nos tempos que correm e
muito em particular na nossa cidade".Defendendo
que a habitação é a prioridade e que os responsáveis políticos a devem
"assumir plenamente", a socialista reforçou que não é tempo "para
ziguezagues ou para querer ficar de bem com Deus e com Diabo, prática
tão ao gosto do ainda presidente da Câmara Municipal de Lisboa",
criticando ainda o social-democrata Carlos Moedas pelas "piruetas
políticas" sobre o AL e por ter desperdiçado a oportunidade de "revogar
as 8.200 licenças" identificadas como inativas na cidade.Carla
Madeira realçou ainda "o papel trágico da lei Cristas" no arrendamento,
aprovada pelo Governo de PSD/CDS em 2012, assim como o "verdadeiro
retrocesso" relativamente ao AL em resultado do decreto-lei 76/2024,
viabilizado pelo atual executivo nacional liderado pelo social-democrata
Luís Montenegro.Da IL, Angélique da
Teresa lamentou a apreciação do documento da câmara com urgência, o que
reduz a AML a "uma repartição que põe carimbos", e considerou que se
trata de "uma proposta mal feita e falsa", referindo que Lisboa não sabe
quantos AL tem, ainda não retirou os registos fantasma e não fiscaliza o
suficiente.Em resposta, Carla Madeira
recusou ser acusada de mentir e pediu à deputada liberal para se
retratar, acusando a IL de estar "do lado dos especuladores imobiliários
que expulsam as pessoas de casa"."Reitero
aquilo que disse. Não retiro uma palavra daquilo que disse. A IL
defende habitação para todos, aumentando a oferta, independentemente de
ser público, privado ou de cooperativas", respondeu Angélique da Teresa.Américo
Vitorino, do PSD, lamentou a abordagem do PS e disse que os preços da
habitação continuam a crescer mesmo com a suspensão de novos registos de
AL, apontando como fator o "enorme número de imigrantes". Do
Chega, Bruno Mascarenhas criticou a "demonização do AL" e a ausência de
abordagem sobre sobrelotação das casas pela imigração.Sob
proposta de PSD/CDS na câmara, a AML aprovou os contratos
interadministrativos de cooperação na área da higiene urbana com as 24
freguesias da cidade, com a transferência de verbas relativas ao 1.º
semestre deste ano, no valor global de 4,95 milhões de euros.A proposta foi viabilizada com os votos contra de PEV, PCP e Chega, e a abstenção de BE, Livre e IL.A
este propósito, Carla Madeira, também presidente da junta da
Misericórdia, considerou a proposta "indecente e ultrajante",
considerando que as verbas são "manifestamente insuficientes", lembrando
que a taxa turística aumentou para responder às "externalidades
negativas do turismo", sobretudo na higiene urbana.