Assembleia Legislativa da Madeira discutiu proposta para aprofundamento de estudo sobre pobreza
21 de mai. de 2025, 11:56
— Lusa/AO Online
A
proposta da bancada socialista, apresentada pela deputada Isabel
Garcês, esteve hoje em discussão no plenário do parlamento madeirense, e
sugere ao Governo Regional que promova a realização de “estudos
aprofundados e representativos sobre a pobreza e exclusão social”, em
especial nos casos dos grupos mais vulneráveis, “como as famílias
monoparentais, crianças, jovens e migrantes”.A
eleita do PS também sustentou que esta iniciativa legislativa tem como
objetivo a implementação de “mecanismos de acompanhamento longitudinal
das populações em risco, de forma a avaliar a evolução da sua situação e
a eficácia das medidas implementadas”.A
criação de um “observatório Regional de Luta contra a pobreza, com a
missão de monitorizar, estudar e propor políticas públicas eficazes e
adaptadas às especificidades da Madeira” é outra das metas deste
diploma.Para o deputado do Chega Miguel
Castro, “os estudos estão feitos” e, de acordo com os dados divulgados, o
problema é que “a riqueza está mal distribuída por grandes grupos
económicos e não chega aos cidadãos”.Miguel
Castro mencionou que os dados indicam que a Madeira tem uma taxa de
risco de pobreza de 22,5%, sendo de 19,7% o valor da médica nacional,
mas o PIB (Produto Interno Bruto) per capita da Região situa-se nos
27.371 euros, quando o valor nacional é de 25.260 euros.“Somos [madeirenses] muito pobres e ganhamos muito", disse.Cláudia
Perestrelo, do PSD, contrapôs que o governo madeirense “enfrenta esta
situação com frontalidade, mas não agita a bandeira da pobreza”,
defendendo que a região “carece de métodos para evoluir no elevador
social”, estando uma estratégia regional em concurso e, “mais do que
estudos”, o que se pretende “é trabalho no terreno".Já
o deputado único da IL, Gonçalo Maia Camelo, entende que “é preciso
calibrar a pobreza” e, estando feito o diagnóstico, “o importante agora
[é] agir de forma decisiva”.Em discussão
esteve também um projeto de resolução do PS que recomenda ao Governo
Regional que proceda à “regulamentação urgente” e proceda à definição
das condições necessárias à atribuição dos benefícios adicionais de
saúde para os beneficiários do complemento solidário para idosos.A
deputada socialista Marta Freitas recordou que, em 2007, foi criado um
regime de benefícios adicionais de saúde para os beneficiários do
complemento solidário para idosos que prevê a comparticipação financeira
de 10% na compra de medicamentos, óculos e lentes, e próteses
dentárias, que só foi adaptado à Madeira em 2024 e continua a faltar a
portaria que regulamenta a sua aplicação.Para
a deputada do JPP Lina Pereira, apesar de estar prevista neste diploma a
“sua aplicação automática às regiões autónomas, quase 18 anos depois os
idosos na Madeira têm zero de benefícios adicionais”, uma medida que
deve abranger cerca de 3.100 idosos com complemento social, e “têm de
entregar papelada” para obter os apoios.Pelo
PSD, Sérgio Oliveira relacionou o atraso na regularização desta
situação com a aprovação da moção de censura ao último Governo Regional,
que provocou a sua queda e convocação de eleições antecipadas, e
assegurou que o executivo “não abandonou os idosos” que auferem de
apoios.O eleito social-democrata avançou
que a “portaria está a ser preparada” e deve estar publicada no segundo
semestre deste ano, porque, “no essencial, está tudo feito”.Em
debate esteve ainda outra proposta da autoria do PS que recomenda ao
Governo Regional a realização de um estudo de caracterização da saúde
mental na Madeira.O diploma, que foi
defendido pela eleita socialista Sancha Campanela, realça que “não
existem dados sobre a saúde mental na Madeira, nem existem quaisquer
estudos de caracterização da mesma (…) que possam contribuir para a
definição de boas políticas publicas para a saúde mental” e “definição
de novos investimentos”.Estes três projetos de resolução da autoria do PS vão ser votados em plenário na quinta-feira.