Assembleia geral da LPFP volta a 'chumbar' distribuição solidária das verbas da UEFA
Hoje 17:49
— Lusa/AO Online
Desta
vez, na sede do organismo, seis das 18 sociedades desportivas da I Liga
opuseram-se a essa distribuição, fazendo cair a proposta, que precisava
de uma maioria qualificada de, pelo menos, 75% dos clubes da I Liga para
ser aprovada.O sufrágio foi feito por
voto secreto, sendo que, com esta decisão, os clubes do segundo escalão
deixam de receber, esta época, cerca de seis milhões de euros que seriam
‘cedidos’ pelos clubes da I Liga que não participam nas competições
europeias, os quais têm direito a um bolo global de 12 milhões de euros.Na
última reunião magna em que o tema tinha sido debatido e votado, a 16
de janeiro, dos 17 clubes da I Liga presentes ou representados, 12
votaram a favor, quatro contra e houve uma abstenção.Desta
vez, e com todas as sociedades desportivas presentes, seis dos clubes
da I Liga optaram por não ratificar essa distribuição das verbas, numa
decisão que o presidente da LPFP, Reinaldo Teixeira, lamentou.“A
maioria, claramente, queria manter este espírito de solidariedade, que
vem já de há muitos anos (…) Não ficamos satisfeitos, longe disso. Acho
que devemos ser solidários, mas há que respeitar e trabalhar em conjunto
para ver o que podemos fazer”, disse o dirigente.Reinaldo
Teixeira explicou que a necessidade de votação da distribuição do
mecanismo de solidariedade da UEFA pelos clubes da II Liga, com
aprovação de 75% das sociedades desportivas da I Liga para ser efetiva,
surge de uma norma da UEFA que levou a Federação Portuguesa de Futebol
(FPF) a solicitar à LPFP a realização de uma Assembleia Geral sobre o
tema.O dirigente lamentou a “mudança de um
espírito de solidariedade que vinha de trás” e confessou não ter ficado
satisfeito com o facto de o tema ter de ser votado a meio da época e
não no início.“As regras mudaram porque
isto é um espírito que vem de trás, ou seja, quando havia pouco disso,
vinha para a Liga, a Liga distribuía, decidia a direção e distribuía;
depois foi para a Federação, decidia a direção e distribuía. Em 2024,
com esta norma da UEFA, deliberaram e distribuíram. Agora, a meio da
época, foi alterado esse princípio", disseReinaldo
Teixeira mostrou-se desagradado com o facto da proposta ser analisada a
meio da época: "Fomos notificados em dezembro [de 2025] pela Federação
de que tínhamos de ter uma assembleia para deliberar este tema, mas tudo
isto deveria ter sido tratado a montante, no início, antes da
competição”.Questionado sobre se a LPFP
poderá apoiar, de alguma forma, os clubes da II Liga, que não vão ter
acesso a estas verbas da UEFA, Reinaldo Teixeira prometeu estudar
soluções, mas lembrou que a instituição “tem grandes desafios
financeiros”.“Temos um grande desafio
financeiro e cabe-nos, enquanto eleitos, assumi-lo e fazer tudo para
honrar os compromissos que foram assumidos quando chegámos. O grande
foco é a redução de despesas e o aumento de receitas”, desabafou.Confrontado
com a possibilidade de esta cisão entre as posições dos clubes poder
ter impactos futuros noutros dossiês, nomeadamente na centralização dos
direitos audiovisuais, onde são necessários consensos, Reinaldo Teixeira
preferiu não fazer comparações nem extrapolações.“Este
não foi um momento feliz, mas uma coisa é este momento, outra é o da
centralização ou de outros passos que temos de dar. Naturalmente, se o
bolo [da centralização] não for tão grande como esperamos, pode haver
alguma dificuldade, mas pelos nossos diálogos, quer a nível nacional
quer internacional, sentimos que o bolo vai ser diferente, para melhor,
do que esperávamos”, concluiu.