Assembleia dos Açores aprova reduzir período experimental de trabalho para 90 dias
16 de jun. de 2021, 11:21
— Lusa/AO Online
A iniciativa contou com a
abstenção do PS e de um dos deputados do Chega (Carlos Furtado) e o
voto contra da Iniciativa Liberal e do outro parlamentar do Chega (José
Pacheco), no plenário da Assembleia Regional que decorre na cidade da
Horta, na ilha do Faial.Na apresentação da
proposta, o líder do BE/Açores, António Lima, lembrou que a mais
recente alteração ao Código de Trabalho na Assembleia da República em
2019 aumentou o período experimental de 90 para 180 dias.“Esta
alteração, apresentada com a falsa justificação de que seria uma forma
de combater o recurso abusivo aos contratos a prazo, apenas veio trazer
mais um fator de instabilidade para esses trabalhadores”, afirmou o
bloquista no plenário.O BE propôs que, nos
Açores, “o período experimental seja reduzido para 90 dias para todos
os trabalhadores, mantendo-se os 180 dias apenas para os cargos de
elevada complexidade técnica, responsabilidade ou que pressuponham
especial qualificação”.No debate, o
secretário regional da Juventude, Emprego e Qualificação Profissional,
Duarte Freitas, realçou que a “pobreza e a exclusão social”, que
“caracterizam a região”, vêm “associadas à precariedade”.O
governante declarou que qualquer iniciativa que vise a “diminuição da
precariedade é sempre vista com bons olhos pelo Governo dos Açores”.O
porta-voz do PAN/Açores, Pedro Neves, enalteceu a iniciativa e disse
que o partido “não tem medo de aprovar aquilo que é mais do que justo”,
apesar de a proposta poder levantar “problemas constitucionais”.A
deputada do PSD Sabrina Furtado destacou que o partido tem “sempre
muita atenção” para as medidas de combate à precariedade, defendendo que
a redução do período experimental “confere mais esperança para os
trabalhadores planearem a sua vida”.O
parlamentar socialista João Vasco Costa disse ter “sérias dúvidas sobre a
legitimidade da Assembleia Regional legislar sobre questões” do Código
de Trabalho, mas considerou que se pode “testar” os “limites” dos
poderes regionais.O deputado Pedro Pinto,
do CDS-PP, considerou a medida importante para “trazer mais
estabilidade” aos trabalhadores e para incentivar a fixação de jovens no
arquipélago.O líder do PPM/Açores, Paulo
Estêvão, disse ser necessário “criar mecanismos para combater a
precariedade” e para apoiar as empresas durante a atual crise provocada
pela Covid-19. O líder parlamentar do
Chega/Açores, Carlos Furtado, defendeu que o período de 90 dias é
“insuficiente para uma adaptação plena” do trabalhador.O
deputado da IL, Nuno Barata, afirmou que a proposta do BE encerra um
“certo complexo ideológico” e defendeu os seis meses de período
experimental como “uma oportunidade para o trabalhador demonstrar que é
uma mais-valia” para a empresa.Os
deputados também aprovaram por unanimidade uma iniciativa do
PSD/CDS-PP/PPM para encurtar os períodos de resposta do Governo Regional
às perguntas dos deputados de 60 para 30 dias.O Tribunal
Constitucional declarou inconstitucional a norma do Código do Trabalho
que alargou o período experimental para 180 dias aos trabalhadores à
procura do primeiro emprego que já tinham sido anteriormente contratados
a prazo por pelo menos 90 dias.