Assembleia dos Açores aprova por unanimidade criação de rede de cuidados paliativos
Hoje 18:02
— Lusa/AO Online
Na apresentação do
decreto legislativo regional, a secretária da Saúde, Mónica Seidi,
salientou a importância dos cuidados paliativos para garantir a
“dignidade” dos doentes e apontou o objetivo de “tratar todos por
igual”, independentemente do “código postal”.“A
criação desta rede é uma resposta estruturada e integrada para pessoas
com doença grave, crónica ou incurável, mas que também se estende às
famílias desses doentes. Os objetivos são claros: cuidados de saúde
centrados na qualidade de vida, na dignidade e no alívio do sofrimento”,
afirmou Mónica Seidi, no plenário da Assembleia Legislativa, na Horta.A
secretária da Saúde destacou que o diploma pretende “assegurar o acesso
equitativo em todas as ilhas da região” e “articular os recursos
existentes” para “evitar respostas fragmentadas”.“Não
foi de forma desalinhada que trouxemos esta proposta a esta assembleia
sem articular medidas que visam ultrapassar e reduzir as potenciais
dificuldades, desde já com o reforço de recursos humanos nas ilhas sem
hospital”, salientou.No debate, o
socialista José Miguel Toste considerou que a criação da rede assegura a
“especialização e o aprofundamento do trabalho” já desenvolvido na
região e questionou o Governo Regional sobre o “horizonte temporal”
previsto para o alargamento dos cuidados paliativos a todas as ilhas.Na
resposta, Mónica Seidi salientou que a implementação da rede “não é
automática”, tratando-se de um processo “gradual e faseado”.Pedro
Ferreira (IL) endereçou os “parabéns” à secretária da Saúde pela
iniciativa, mas sinalizou a necessidade de recorrer ao setor privado e
social através de uma “contratualização ágil sempre que os recursos do
Serviço Regional de Saúde sejam insuficientes”.A
social-democrata Ana Jorge considerou a criação da rede como um “avanço
estrutural” e lembrou que o Governo Regional demorou “mais de um ano a
preparar o diploma”, enquanto Pedro Pinto (CDS-PP) defendeu a
importância de ter uma “moldura legal que estruture uma intervenção
articulada e coerente”.A deputada do Chega
Hélia Cardoso realçou a necessidade de assegurar o “mesmo tipo de
resposta para os utentes de diferentes ilhas”, enquanto o parlamentar
João Mendonça (PPM) avisou para a exigência de “investir em recursos e
equipas” para a rede funcionar.Por sua
vez, Pedro Neves (PAN) realçou que a proposta resulta de uma
“necessidade política evidente”, tal como António Lima (BE) que alertou,
contudo, para a “escassez profissionais com formação específica em
cuidados paliativos”.