Assembleia dos Açores aprova decreto da IL que reforma gestão do imobiliário público
Hoje 17:41
— Lusa/AO Online
O projeto de decreto legislativo
regional foi aprovado em votação final global com os votos a favor de
PSD, PS, Chega, PPM, IL e PAN e a abstenção do BE, durante o plenário da
Assembleia Regional, na Horta.A
viabilização do diploma aconteceu após terem sido aprovadas propostas de
alteração de PSD/CDS-PP/PPM e PS e rejeitadas alterações apresentadas
pelos socialistas e pelo BE durante o debate na especialidade.Na
discussão, que começou na quarta-feira, o deputado da IL afirmou que a
inutilização de parte do património regional origina “encargos
adicionais” num “contexto de crise habitacional e endividamento
público”, alertando que a região “não pode continuar a perpetuar” a
“ineficiência e o desperdício”.“A Região
Autónoma dos Açores é detentora de um vasto património imobiliário,
abrangendo prédios rústicos e urbanos, muitos dos quais se encontram
devolutos, degradados e sem qualquer utilização. Estes imóveis poderiam
ser alocados ao serviço da administração pública ou disponibilizados a
privados, incluindo famílias e empresas”, defendeu Nuno Barata.O
liberal explicou que o decreto visa definir o regime jurídico da gestão
dos imóveis e o regime de alienação de imóveis públicos, estabelecer um
“plano de reconversão ou reabilitação de imóveis públicos” e a
“inventariação dos imóveis” da região, além de prever a criação de um
“portal dedicado ao património imóvel”.“Com
esta proposta será possível a identificação de imóveis passíveis de
reabilitação para a instalação de serviços públicos, permitindo reduzir a
despesa pública com arrendamentos e libertar imóveis privados
atualmente ocupados pela administração pública”, realçou.No
debate, o secretário das Finanças, Planeamento e Administração Pública
elencou o trabalho do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) para a
rentabilização do património público, adiantando que o executivo está a
preparar diplomas para operacionalizar modelos de gestão para o
património imobiliário e móvel.Duarte
Freitas destacou, também, o trabalho de inventariação realizado nos
últimos anos, adiantando que a região possui 4.659 imóveis, sendo 1.690
terrenos (81 são objeto de cedência), estando 2.399 edifícios afetos à
habitação, 513 utilizados pela administração pública.O
deputado socialista Carlos Silva alertou para as dificuldades
provocadas pela crise da habitação e o aumento do custo de vida para
considerar que a proposta da IL “não resolve o problema, mas é mais um
contributo”.Já da parte do PSD, Joaquim
Machado realçou que o Governo Regional está a desenvolver o portal do
património para assegurar o “acesso transparente à informação sobre bens
públicos”.Francisco Lima (Chega) lamentou
que “se não fosse o covid-19 não se fazia nada”, já que aquele portal
foi financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (criado na
sequência da pandemia).O deputado do
CDS-PP Jorge Paiva criticou a ausência de estratégia e inventariação de
que o património público foi alvo “durante muitos anos”, enquanto o
monárquico João Mendonça realçou que a proposta original da IL “aposta
sobretudo na alienação, o que gera receita, mas reduz a capacidade de
intervenção futura”.O parlamentar e líder
do BE na região, António Lima, defendeu que a iniciativa da IL “traz
problemas complicados”, já que só obriga à manutenção do “imóvel no
mercado habitacional durante cinco anos” e não define “arrendamento
acessível”.