Assembleia da República chumba consagração de Carnaval como feriado nacional
22 de out. de 2021, 13:01
— Lusa/AO Online
As
iniciativas do PEV e do PAN, que pretendiam uma alteração do Código do
Trabalho, foram chumbadas com os votos contra do PS, PSD, CDS e
Iniciativa Liberal, abstenção do Chega, e votos a favor do BE, PCP, das
deputadas não inscritas Joacine Katar Moreira e Cristina Rodrigues e do
deputado socialista João Nicolau.Durante o
debate que precedeu a votação, a direita e o PS consideraram que deve
ser mantido o atual Código do Trabalho, que estipula que a terça-feira
de Carnaval é um feriado facultativo, enquanto os partidos à esquerda
indicaram que a sua consagração obrigatória é de “elementar justiça”. Apresentando
o projeto de lei do seu partido, o deputado do PEV José Luís Ferreira
argumentou que instituir a terça-feira de Carnaval como feriado nacional
obrigatório é salutar porque é um evento que é “culturalmente
assimilado pelas pessoas como um verdadeiro feriado” e serve de “fator
de dinamização económica em muitos municípios”, como Loulé, Sesimbra ou
Torres Vedras. Lembrando também as medidas
tomadas pelo Governo do PSD e CDS entre 2012 e 2015 – onde a tolerância
de ponto não foi concedida para a terça-feira de Carnaval -, José Luís
Ferreira avançou que o diploma do PEV serve para “evitar situações”
semelhantes, onde “meio país esteve parado e meio país a trabalhar”,
dado que vários municípios instituíram, por iniciativa própria,
tolerância de ponto.No mesmo sentido, o
deputado do PAN Nelson Silva, salientou que tornar o Carnaval como um
feriado nacional obrigatório serve para “pôr termo a mais uma
discriminação entre trabalhadores do público e do privado”, tendo em
conta que o código de trabalho estipula que a terça-feira de Carnaval é
um “feriado facultativo, mas essa facultatividade só existe no setor
privado”. Em resposta às duas propostas, o
deputado único da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo afirmou
que Portugal, em termos de número de feriados nacionais, “está bem lá
em cima dos ‘rankings internacionais’”, enquanto que, “no que
verdadeiramente conta”, – os ‘rankings’ da “prosperidade, do
desenvolvimento, da competitividade” – Portugal está “bem lá em baixo”
e, “pior, está a descer”. “Perante isto, o
que é que propõe o PEV e o PAN? Propõem transformar o feriado
facultativo Carnaval em obrigatório, uma matéria que é hoje objeto de
livre negociação entre empregado e empregador, passa a ser imposto pelo
Estado. Sempre o Estado”, salientou. Pelo
PSD, o deputado Eduardo Teixeira reconheceu que o Carnaval “é uma
tradição importante, do ponto de vista cultural, social e fundamental
para alavancar as economias de norte a sul”, mas salientou que “o
caminho” da sua consagração como feriado obrigatório não é
“definitivamente pela alteração do código de trabalho”, mas antes “em
sede de Concertação Social”.O deputado
Pedro Morais Soares, do CDS, indicou que o Carnaval gera “grandes ganhos
para a economia local” dos municípios – como Loulé, Ovar, Torres
Vedras, entre outros – em que existe uma “tradição consolidada de
organização de festas neste período”, entendendo que, nessas
localidades, “pode ser concedida tolerância de ponto”. “Consideramos
também que a tolerância de ponto como medida que o Governo, ou a
administração pública local, e as próprias empresas podem determinar, é
medida suficiente para valorizar esta festividade, não sendo necessário,
nem adequado, consagrar a terça-feira de Carnaval como feriado nacional
obrigatório”, referiu. Em sentido
contrário, o Bloco de Esquerda, pela voz do deputado José Soeiro,
salientou que é “justo, razoável e de elementar bom senso” consagrar o
Carnaval como feriado nacional obrigatório, lembrando que é contando com
o Carnaval que são organizadas as férias escolares e que, nesse dia, os
transportes públicos têm “as carreiras a meio gás”. No
mesmo âmbito, a deputada Diana Ferreira do PCP também concordou que a
consagração da terça-feira de Carnaval como feriado nacional é “da mais
elementar justiça”, salientando que “não há um único argumento, do ponto
de vista económico, social ou cultural” que o impeça, “a não ser uma
visão retrógrada no que se refere ao direito ao tempo de lazer e ao
tempo de descanso". Pelo PS, o deputado
Eduardo Barroco de Melo indicou que os socialistas não iriam aprovar os
diplomas do PEV e do PAN por considerarem que os argumentos que
favorecem a instituição do feriado nacional do Carnaval também “poderiam
ser utilizados, por exemplo, para a celebração do São João, ou do Santo
António, ou do São Pedro, que não têm nem menos adesão popular, nem
menos relevância económica ou social”.