ASPP/PSP culpa Governo pelo aparecimento do Movimento Zero
21 de ago. de 2019, 16:47
— Lusa/AO Online
“Isto é, no fundo, uma chapada
de luva branca à forma como os governos têm tratado os polícias,
votando-os ao menosprezo, à desvalorização, ficando a olhar para o lado,
a empurrar os problemas para a frente. Isto surge, de alguma forma, por
causa disto. Não é por causa de falha dos sindicatos”, disse o
presidente da maior associação sindical da PSP, Paulo Rodrigues.O
dirigente da ASPP/PSP admitiu que o caminho seguido pelo Movimento Zero
“é perigoso”, mas, acrescentou, “parece que o Governo, continuando a
não responder” às reivindicações das associações sindicais da PSP, “está
justamente a empurrar os polícias para situações destas”. “Espero
que isto tenha um fim e tenha um fim rápido”, defendeu Paulo Rodrigues,
que falava à agência Lusa após receber, nas instalações do Porto da
ASPP/PSP uma delegação do PCP liderada pela deputada Diana Ferreira,
para, segundo a convocatória daquele partido, analisar “problemas
decorrentes da falta de efetivos das forças de segurança na região”. O
Movimento Zero foi criado através das redes sociais e dele fazem parte
agentes da PSP e militares da GNR. Uma das suas ações mais notórias foi
um protesto durante a cerimónia de aniversário da PSP, a 12 de julho, em
Lisboa.Os polícias do Movimento Zero
vestiram então camisolas brancas e voltaram-se de costas quando o
diretor nacional da PSP, Luís Farinha, começou a falar na cerimónia
presidida pelo primeiro-ministro, António Costa, mantendo-se nesta
posição até ao final do discurso. Quando o
ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, começou a discursar
os polícias saíram em silêncio e de forma ordeira, levantando os braços
e fazendo o gesto do zero com os dedos. Nas
declarações de hoje à Lusa, Paulo Rodrigues aludiu também ao problema
dos efetivos na PSP, referindo que a corporação tem 20 mil agentes ao
seu serviço, mas “só 14 mil é que têm condições para desenvolver a parte
operacional”, que representa 90% da atividade policial.“Temos
muita falta de chefes, temos muita falta de agentes. Ao nível de
oficiais, temos alguma falta, mas nos cargos superiores não notamos essa
falta. Precisamos de pessoal para continuar a desenvolver o trabalho
nas esquadras, continuar a ir às ocorrências no carro patrulha”, disse.No
caso concreto do Comando Metropolitano do Porto, especificou, há quatro
mil agentes, dos quais mil “já deviam ter passado à pré-aposentação".
Estão contabilizados, mas não trazem qualquer significado em termos de
trabalho operacional”.“Temos polícias a fazer o seu turno e o de mais dois”, observou.
A falta de efetivos no Comando da PSP do Porto foi também uma das
situações assinaladas pela delegação do PCP que se encontrou com Paulo
Rodrigues.Diana Ferreira associou a falta
de efetivos ao encerramento em período noturno de esquadras na periferia
do Porto, nomeadamente Valongo, Ermesinde, Maia e São Mamede de
Infesta.“Pudemos confirmar nesta reunião
que o encerramento se deve efetivamente à falta de efetivos face ao
conjunto de solicitações que lhes são colocadas”, disse.