ASPP/PSP alerta para “polícias exaustos” e ilegalidades em Ponta Delgada
Hoje 16:16
— Filipe Torres
A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) lançou um
alerta sobre a “situação crítica” na Divisão Policial de Ponta Delgada,
denunciando a falta de condições básicas de trabalho, a escassez de
efetivos e de viaturas, e a ausência de higiene e segurança. O sindicato
sublinha que os “constantes atropelos ao direito ao descanso” estão a
levar os polícias à exaustão, podendo mesmo conduzir a situações de
burnout, afetando a saúde física e mental dos profissionais.Segundo a
nota da ASPP/PSP enviada à redação, a Divisão Policial de Ponta Delgada
“revela total inoperância na resolução do problema”. Ao longo dos anos,
as tentativas do sindicato de alertar a hierarquia para estas
ilegalidades não surtiram efeito, levando a associação a interpor uma
ação judicial, que continua a decorrer nos tribunais.De acordo com o
sindicato, um exemplo do agravamento da situação é a implementação dos
horários em vigor desde 2022. Estes horários, que priorizaram apenas os
interesses da Divisão, ignoraram o despacho da Direção Nacional da PSP,
que enfatizava a necessidade de equilibrar a operacionalidade policial
com o bem-estar profissional, familiar e social dos agentes. A ASPP/PSP
refere que o resultado foi um aumento da sobrecarga de trabalho e da
insatisfação entre os polícias.As condições das instalações também
são motivo de preocupação. De acordo com o sindicato, os gabinetes da
Divisão carecem de luz natural, as paredes e o chão apresentam sinais de
instabilidade, e as traves de madeira que sustentam o edifício mostram
desgaste, colocando em risco a integridade física de profissionais e
cidadãos. A carência de efetivo e de meios agrava ainda mais o
problema. Segundo o sindicato, os polícias acumulam centenas de
processos, muitas vezes sem sequer dispor de secretária ou computador,
enquanto são obrigados a realizar diligências que, em condições normais,
não lhes competiriam. O uso “abusivo” do regime de “piquete” é
outro fator crítico apontado pela ASPP/PSP. A equipa de investigação é
frequentemente chamada a cumprir turnos de 24 horas consecutivas fora do
horário normal, um regime que deveria ser excecional. O sindicato
alerta que, em caso de erro, a responsabilidade recai exclusivamente
sobre o polícia.Além disso, a falta de condições mínimas de higiene e
a inexistência de compensação adequada pelo trabalho extraordinário
contribuem para o desgaste dos profissionais. Segundo a ASPP/PSP, não
existem espaços dignos para higiene ou descanso durante os serviços
prolongados. Outro problema apontado pelo sindicato é a “compensação
inexistente”. O subsídio pago apenas pela “disponibilidade”, que não
cobre as horas efetivas de trabalho, não é revisto desde 2009, deixando
os polícias sem reconhecimento pelo esforço extra.O sindicato alerta
para os riscos de saúde associados às instalações da Esquadra de
Investigação Criminal (EIC). O edifício apresenta danos estruturais
provocados por térmitas e uma cobertura com amianto, substância proibida
e que representa um risco elevado de doenças respiratórias e cancro.
Nas Brigadas destacadas nos restantes concelhos, a escassez de meios
humanos e materiais é igualmente preocupante, com viaturas obsoletas
muitas vezes desviadas para serviços privados, comprometendo a
capacidade operacional da PSP.Por fim, a ASPP/PSP sublinha que a
falta de resposta está a empurrar os profissionais para um limite
perigoso. “Apesar das sucessivas denúncias ao longo dos anos, o Comando
não demonstrou intenção de resolver estas lacunas”, lê-se na nota.A
ASPP/PSP afirma que todo o trabalhador necessita de incentivos para
manter a eficiência, mas o que os polícias têm recebido nos últimos 15
anos é a “ausência total de motivação e ações que apenas geram
revolta”.