As principais medidas do novo pacote dedicado à habitação
17 de fev. de 2023, 08:43
— Lusa/AO Online
O
novo pacote legislativo foi aprovado num Conselho de Ministros dedicado
à habitação, cuja realização foi anunciada em janeiro pelo
primeiro-ministro, António Costa, durante uma entrevista à RTP, tendo o
Governo assumido a habitação acessível como um dos maiores desafios da
atualidade. Entre as medidas que visam
estimular o mercado de arrendamento, assim como a agilização e
incentivos à construção, incluem-se o fim dos vistos 'gold', o Estado
substituir-se ao inquilino e pagar rendas com três meses de
incumprimento, a obrigatoriedade de oferta de taxa fixa pelos bancos no
crédito à habitação ou famílias que vendam casas para pagar empréstimo
da sua habitação ficarem isentas de mais-valias. As
medidas do Programa Mais Habitação vão custar cerca de 900 milhões de
euros, não incluindo nesta estimativa o que venham a ser valores de
custos com rendas, com obras a realizar ou com compras, mas incluindo
aqui o valor das linhas de crédito, e será mobilizado através das verbas
do Orçamento do Estado, indicou o ministro das Finanças, Fernando
Medina. Eis as principais medidas: Governo vai deixar de conceder vistos ‘gold’António
Costa anunciou que o Governo vai eliminar a concessão de novos vistos
‘gold’ e que em relação aos já concedidos “só haverá lugar à renovação
se forem habitação própria e permanente do proprietário e do seu
descendente, ou se for colocado o imóvel duradouramente no mercado de
arrendamento”. Estado compromete-se a pagar rendas com três meses de incumprimento
O Estado vai substituir-se ao inquilino e pagar rendas com três meses
de incumprimento, para reforçar o mercado de arrendamento. Segundo o
Governo, “todos os pedidos de despejo que deem entrada no balcão
nacional de arrendamento, após três meses de incumprimento" poderão ser
pagos pelo Estado, ou seja, "o Estado passará imediatamente a
substituir-se ao inquilino no pagamento ao senhorio das rendas".Em
contrapartida, o Estado ficará na posição do senhorio para cobrar as
rendas em dívida e, se houver "causa socialmente atendível" para
justificar o incumprimento, assumirá o seu papel apoiando o pagamento
das rendas ou avançando com uma medida de realojamento. No caso de se tratar de um "incumpridor profissional", então o Estado avançará com o despejo, explicou o primeiro-ministro. Proprietários que vendam casas ao Estado ou autarquias isentos de mais-valiasOs
proprietários que vendam casas ao Estado ou autarquias vão ficar
isentos do imposto sobre as mais-valias, de forma a aumentar a oferta de
habitação para o mercado de arrendamento acessível.Limite no valor das rendas dos novos contratos de arrendamentoO valor das rendas dos novos contratos de arrendamento vai passar a ter critérios que limitam a sua subida."Para
novos contratos a nova renda deve resultar da soma da última renda
praticada com as atualizações que poderiam ter sido feitas no período do
contrato", explicou o primeiro-ministro. Além
destes dois critérios o valor da nova renda poderá ainda ter em conta o
objetivo de inflação de 2% definido pelo Banco Central Europeu (BCE).Bancos vão ser obrigados a disponibilizar taxa fixaOs
bancos vão passar a ter de disponibilizar ofertas de taxa fixa no seu
portfólio de crédito à habitação, anunciou o Governo, sinalizando que
com esta medida deixará de ser possível, como atualmente, que as
instituições financeiras possam não disponibilizar esta oferta.Taxa autónoma de IRS sobre as rendas vai baixar de 28% para 25%O
Governo avançou com uma medida que diminuiu em três pontos percentuais,
de 28% para 25% a taxa autónoma que incide sobre os rendimentos de
rendas.A taxa autónoma que atualmente
incide sobre os rendimentos de rendas está balizada há vários anos nos
28% - quando o senhorio não opta pelo englobamento dos rendimentos –
havendo situações em que esta taxa pode ser reduzida em função da
duração do contrato.A medida hoje aprovada
reduz a taxa de IRS de 28% para 25% e mexe também nas taxas mais baixas
de IRS que são atribuídas aos contratos de maior duração. Assim, a taxa
de IRS aplicada a contratos com duração entre cinco e 10 anos baixa de
23% para 15% e entre 10 e 20 anos recua de 14% para 10%. Já nos
contratos com duração superior a 20 anos a taxa do imposto recua de 10%
para 5%.Imóveis que se mantenham no alojamento local vão pagar uma contribuição especialOs
imóveis que se mantenham no alojamento local vão ser chamados a pagar
uma contribuição especial, sendo que a receita será consignada ao IRHU
(Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana) para financiar
políticas de habitação.O Estado pretende
também cativar os senhorios para transferirem os imóveis que têm em
alojamento local para habitação, assegurando aos que o fizerem até final
de 2024, uma isenção de tributação de IRS até 2030, como “compensação
para a diminuição de receita que vão ter”. Famílias que vendam casas para pagar empréstimo da sua habitação isentas de mais-valiasO
Governo aprovou também a isenção de imposto sobre as mais-valias
geradas na venda de casas quando o valor da venda se destine a amortizar
o crédito da habitação própria e permanente do proprietário ou
descendentes.Ou seja, não serão tributadas
as mais-valias resultantes "da venda de imóveis do próprio" e que
"sejam aplicadas na amortização do crédito de primeira habitação", deste
e de descendentes.Casas que saiam do alojamento local até 2024 não pagam IRS de rendas até 2030Os
proprietários que retirem as suas casas do alojamento local até ao
final de 2024 e as coloquem no mercado de arrendamento habitacional vão
ter isenção de IRS sobre as rendas até 2030.Segundo
o Governo, para beneficiarem de isenção de IRS sobre as rendas, os
donos das casas no alojamento local terão de colocá-las no mercado de
arrendamento entre fevereiro de 2023 e até ao final de 2024. Governo cria bonificação para famílias enfrentarem subida dos juros do crédito à habitaçãoO
Estado vai bonificar em 50% a taxa de juro dos créditos à habitação até
200 mil euros, de famílias cujo aumento supere o teste de ‘stress’, no
caso de famílias que recebem até 38.632 euros anuais. “Sempre
que a taxa de juro suba acima desse valor máximo a que foi sujeito no
‘stress’, há um esforço imprevisto para a família relativamente àquilo
que era a sua taxa de esforço e o Estado bonificará esse aumento em
50%", explicou o primeiro-ministro. Esta medida terá um caráter temporário e o valor do apoio está limitado a 1,5 IAS, ou seja, até 720,65 euros. Governo proíbe novas licenças de alojamento localAs
emissões de novas licenças de alojamento local “serão proibidas”, com
exceção dos alojamentos rurais em concelhos do interior do país, onde
poderão dinamizar a economia local. O
primeiro-ministro comunicou ainda que as atuais licenças de alojamento
local “serão sujeitas a reavaliação em 2030” e, depois dessa data,
periodicamente, de cinco em cinco anos.Governo vai simplificar licenciamentos municipais e penalizar atrasos na emissão de pareceresOs
projetos de arquitetura vão passar a ser licenciados apenas com base no
termo de responsabilidade dos projetistas e as entidades públicas serão
penalizadas no caso de atrasos na emissão de pareceres.Assim,
o licenciamento municipal ficará limitado à avaliação urbanística: se o
solo é ou não permitido para construção e o respeito de normas,
afastamentos e outras exigências urbanísticas.Governo aprova linha de crédito para municípios fazerem obras em casas devolutasO
Governo anunciou uma linha de crédito de 150 milhões de euros dirigida
aos municípios, para que possam realizar obras em casas devolutas.Terrenos e imóveis de comércio e serviços vão poder servir para habitação sem alteração de licençaTerrenos
ou imóveis autorizados para comércio e serviços vão poder ser
utilizados para construção ou convertidos em habitação sem alteração de
planos de ordenamento do território ou licenças de utilização.A
mudança, segundo o primeiro-ministro, poderá ser feita "sem necessidade
de alterar qualquer plano de ordenamento do território ou licença de
utilização".Famílias em esforço podem receber apoio de até 200 euros O
Governo vai disponibilizar um subsídio de renda, no valor máximo de 200
euros, para apoiar as famílias que estão a gastar com habitação mais de
35% do rendimento.Governo adota regime de "arrendamento compulsivo" de casas devolutasO
Governo vai adotar um regime de “arrendamento compulsivo” das casas
devolutas, no quadro do Programa Mais Habitação, que prevê que caberá ao
Estado ou ao município “pagar ao proprietário a renda que é devida” e
cobrar “a renda que resulta do subarrendamento” que fará depois.