As mulheres estão em maioria numa Missão mais jovem
Paris2024
22 de jul. de 2024, 09:55
— Lusa/AO Online
Nação da ‘liberdade, igualdade e
fraternidade’, a França tornou a paridade uma das bandeiras destes
Jogos Olímpicos, os terceiros que organiza em Paris, um desafio proposto
pelo Comité Olímpico Internacional (COI) e abraçado também pelo Comité
Olímpico de Portugal (COP), que no contrato-programa assinado com o
Governo estabeleceu como objetivo “disputar o número de eventos de
medalhas de forma equitativa em termos de género”.Depois
de apresentar o maior número de mulheres de sempre em Tóquio2020, com
36 (numa delegação de 92 atletas, o que equivaleu a uma representação de
39,1%), Portugal deu um passo em frente, já que nestes Jogos serão elas
em maioria.São 37 em 73, ou seja, 50,7%
da Missão, disputando também um número superior de eventos: 33 contra
28, numa lista que inclui ainda seis provas mistas. “É
um motivo de satisfação num objetivo que pretendíamos cumprir e que
está em linha com aquilo que são as preocupações do Comité Olímpico
Internacional”, salientou o presidente do COP, José Manuel Constantino,
em entrevista à agência Lusa, com o chefe de Missão, Marco Alves, a
descrever estas percentagens históricas como “uma vitória”. Liderada
pela porta-estandarte Ana Cabecinha, a marchadora que vai para a quinta
participação olímpica, tal como a canoísta Teresa Portela – e os
mesatenistas Marcos Freitas e Tiago Apolónia -, a delegação portuguesa
tem mulheres em maioria no atletismo (13 em 22) e no judo (cinco em
sete), além de representantes únicas no breaking (Vanessa Marina), no
surf (Yolanda Hopkins e Teresa Bonvalot) e no tiro com armas de caça
(Maria Inês Barros).Além da composição
paritária da delegação portuguesa em Paris2024, que mereceu elogios da
sociedade civil, nomeadamente da Plataforma Portuguesa para os Direitos
das Mulheres, as percentagens contam outras histórias, como a dos
estreantes (50,7%), também eles em maioria.São
37 os atletas que vão cumprir, pela primeira vez, o sonho de estar nuns
Jogos Olímpicos, como o jovem ginasta Gabriel Albuquerque, que, aos 18
anos, é o mais novo de uma Missão cuja média etária é de 28,8 – em
Tóquio2020 foi de 29,5.Do lado oposto, com
45 anos, está a mesatenista Fu Yu, uma de três atletas com mais de 40
anos e uma entre os 10 naturalizados que compõem a delegação olímpica
portuguesa, sendo Agate de Sousa, bronze no salto em comprimento nos
Europeus, a última a juntar-se a este grupo. A
comitiva lusa na capital francesa, que vai competir em 15 modalidades,
integra três medalhados olímpicos, precisamente os de Tóquio2020 – falta
Patrícia Mamona, lesionada -, com o campeão do triplo salto Pedro
Pichardo, o judoca Jorge Fonseca e o canoísta Fernando Pimenta, à
procura de tornar-se no primeiro a conquistar três medalhas, a serem as
maiores referências desta Missão, a mais curta desde Sydney2000, onde
estiveram 64 portugueses. Os Jogos Olímpicos Paris2024 arrancam na sexta-feira, com a cerimónia de abertura, no rio Sena, e terminam em 11 de agosto.