Artur Lima diz que executivo está coeso e saídas são "normais"
6 de mar. de 2023, 15:59
— Lusa
“A
coligação felizmente está muito estável, é uma coligação muito coesa.
Isso não tem nada a ver. São dinâmicas normais de renovação, de pessoas
que já não querem estar. É um processo absolutamente normal. Vejo isso
com toda a tranquilidade e como um processo normal da democracia”,
afirmou Artur Lima, em Angra do Heroísmo, quando questionado sobre a
demissão do secretário regional da Saúde.O
titular da pasta da Saúde, Clélio Meneses (PSD), revelou no sábado que
tinha pedido a demissão do cargo, por “razões exclusivamente políticas” e
“divergências insanáveis”.“Faço-o por
razões exclusivamente políticas, assentes em divergências insanáveis e
inultrapassáveis, evidenciadas em sucessivas ingerências no exercício do
cargo para o qual fui nomeado, dificultando, quando não impedindo, o
cumprimento da complexa missão de gerir o setor”, adiantou, numa
declaração enviada à Lusa.Questionado sobre a demissão de Clélio Meneses, o vice-presidente do executivo açoriano disse não ter qualquer reação a fazer.“O
senhor presidente do Governo é que tem a competência exclusiva,
própria, de nomear e exonerar membros do Governo. Portanto, quem se irá
pronunciar sobre isso, dentro da sua competência própria, é o senhor
presidente do Governo”, apontou.Perante a insistência dos jornalistas, Artur Lima acrescentou que as remodelações dos governos “são normais na democracia”.“Não
vejo qualquer problema nisso. São processos dinâmicos. Todos os
governos têm remodelações. Não me lembro de nenhum governo nos Açores
que não tenha [tido] remodelações”, frisou.Em
novembro de 2022, à margem da apresentação das conclusões do Conselho
de Governo, o vice-presidente do executivo açoriano disse que os médicos
não podiam “usar o dinheiro como moeda de troca para dispensar” a
prestação de cuidados, considerando que tal era uma “violação grosseira”
da ética.“Os médicos devem ser bem
remunerados, mas não podem usar o dinheiro como moeda de troca para
dispensarem cuidados de saúde aos seus doentes. Julgo que isso é uma
violação grosseira do juramento de Hipócrates, da ética e da
deontologia”, afirmou na altura, a propósito de uma reivindicação de
revisão do valores pagos pelas horas extraordinárias nos Açores. As
declarações de Artur Lima levaram os médicos a exigir um “pedido de
desculpa” e mais de 400 profissionais manifestarem indisponibilidade
para realizar horas extraordinárias para além do limite legal das 150
horas, o que ameaçava colocar em causa o serviço de urgência do hospital
de Ponta Delgada em dezembro.Questionado
sobre se assumia responsabilidade pelas “ingerências” referidas por
Clélio Meneses, o vice-presidente do executivo açoriano afirmou que era
responsável apenas pelas suas áreas de governação.“Tenho
trabalho suficiente todos os dias para me preocupar com as minhas áreas
de governação. Sobre a entrada e saída, exoneração ou não exoneração,
sobre opiniões alheias não tenho nada a dizer”, adiantou.“Tenho
tanto que fazer, que tomara ter tempo para tratar todos os dias das
minhas coisas. As coisas dos outros membros do governo, de todas as
áreas de governação, a eles dizem respeito”, acrescentou.