Arte do bote baleeiro açoriano inscrita no Inventário do Património Cultural Imaterial

Hoje 16:00 — LUSA/AO Online

No anúncio, assinado pelo presidente do conselho diretivo do instituto público Património Cultural, João Soalheiro, é destacada a “relevância da arte de manuseamento e construção do bote baleeiro açoriano enquanto reflexo da identidade da comunidade, grupos e indivíduos envolvidos no presente com estas práticas, nomeadamente no contexto do município das Lajes do Pico”.Também se refere a importância histórica desta manifestação no território em que se insere e sua influência social, cultural e patrimonial, a necessidade de valorização e salvaguarda dos contextos de transmissão de conhecimentos e saberes promovidos ao longo de gerações e a articulação com as exigências de desenvolvimento sustentável nos territórios e respeito pelos direitos, liberdades e garantias nas comunidades, grupos e detentores associados.Esta inscrição esteve em consulta pública durante 30 dias, conforme anúncio publicado no início de julho.Quando o Património Cultural deu início ao processo de consulta pública para a inscrição da manifestação "Bote Baleeiro Açoriano: arte de manuseamento e construção nas Lajes do Pico" no INPCI, a presidente da Câmara Municipal das Lajes do Pico, Ana Brum, disse à agência Lusa que a autarquia contratou uma empresa que estava a trabalhar para, após a inscrição no património imaterial português, entregar a candidatura ao Património Mundial da UNESCO em fevereiro de 2027.“Foi este todo o trajeto que percorremos e estamos a percorrer até conseguirmos chegar àquilo que tem sido muito falado ao longo dos anos, de se poder classificar o bote açoriano, com a importância que tem para a UNESCO [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura]”, disse.Segundo a autarca, esta importância é vital porque na ilha do Pico “apenas existem dois construtores navais, sendo que um deles, o senhor João Tavares, já é um octogenário, ou está lá perto” e resta apenas um construtor naval no concelho das Lajes e na ilha, “que é o senhor Monteiro”.“Portanto, há aqui um plano de salvaguarda que tem de ser feito para que estes conhecimentos não sejam perdidos e, por isso, há toda esta importância de ele [o bote baleeiro] estar devidamente classificado”, disse.Na opinião de Ana Brum, pelo trabalho que tem sido desenvolvido “há várias décadas” na região, a aprovação das duas candidaturas - Património Imaterial Português e UNESCO - seria a “cereja no topo do bolo”.O município das Lajes do Pico começou há três anos com o “grande projeto” para, um dia, fazer uma candidatura à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, “que há muito [é] também desejada pela população” do concelho.A candidatura visa reconhecer e salvaguardar os conhecimentos e técnicas associadas ao manuseamento e à construção do bote baleeiro açoriano nas Lajes do Pico, uma marca cultural dos Açores.A caça da baleia no arquipélago dos Açores terminou em 1984.A captura processava-se com base em barcos de boca aberta e em métodos artesanais, com recurso a um arpão, sendo posteriormente os cetáceos desmanchados nas unidades industriais que existiam nas várias ilhas do arquipélago.