Arrendar ou comprar casa em Ponta Delgada consome mais de 57% do salário
Hoje 08:56
— Nuno Martins Neves
Residir em Ponta Delgada não é para qualquer carteira: seja de renda ou
aquisição, o esforço financeiro exigido leva mais de metade do salário,
revelam os dados disponibilizados ontem pelo portal imobiliário
Idealista.Os dados são referentes ao segundo trimestre deste ano e
são esclarecedores: a maior cidade do arquipélago está entre aquelas que
maior taxa de esforço exige na altura de procurar um teto.A média
nacional situa-se nos 82%, na renda, e nos 76%, na compra de casa. Um
esforço “elevado”, considera o portal: “Arrendar ou comprar casa consome
grande parte do rendimento familiar, refletindo as dificuldades que
muitas famílias enfrentam para aceder a habitação adequada. Apenas
algumas cidades apresentam condições menos pressionadas, mostrando que o
mercado imobiliário nacional permanece desafiante”.Rendas altasComeçando
pelo mercado de arrendamento, Ponta Delgada é a sexta cidade, das 20
analisadas pelo Idealista, onde a renda consome uma fatia maior do
salário (57%), quase o dobro do limite máximo recomendado para a taxa de
esforço (33%) estabelecido pelo Banco de Portugal. A taxa de esforço é
percentagem do rendimento mensal líquido que se destina a pagar os
empréstimos contratados.À frente da cidade micaelense estão Faro (101%), Funchal (99%), Lisboa (80%), Porto (69%) e Setúbal (66%).Apenas
quatro cidades estão ligeiramente acima do limite ou abaixo: Bragança
(34%), Beja (33%), Castelo Branco (31%) e Guarda (31%) e Portalegre
(30%) que surge como a cidade mais acessível para arrendar casa.Comprar também exige esforçoSe
a intenção é compra de casa, o cenário não muda muito, apesar dos
números apresentados pelo portal de imobiliário serem mais baixos. Ponta
Delgada, com 57%, é a oitava mais “cara” entre 20 cidades, com uma taxa
de esforço que é, ainda assim, menos de metade do que a exigida no
Funchal (115%), a líder do ranking.Lisboa (99%), Faro (84%), Porto
(82%), Aveiro (72%), Setúbal (58%) e Braga (58%) são as cidades à frente
de Ponta Delgada, assinaladas pelo Idealista como aquelas onde a compra
de casa “continua acima dos níveis considerados sustentáveis”.No
lote de capitais de distrito mais acessíveis à carteira estão Guarda
(20%), Portalegre (23%), Castelo Branco (23%), Bragança (27%), Beja
(30%) e Vila Real (31%), as únicas com taxas de esforço abaixo do limite
máximo.