Arranca hoje reunião no G20 rumo ao consenso para uma aliança contra a fome
22 de jul. de 2024, 10:25
— Lusa/AO Online
As reuniões do G20 que arrancam hoje irão culminar com o pré-lançamento da Aliança Global contra a Fome na quarta-feira.O
embaixador Maurício Carvalho Lyrio, chefe da equipa negociadora
brasileira no G20, escreveu no site oficial do evento que os países do
grupo estão a negociar um documento que visa "dar um empurrão na
mobilização de recursos e no intercâmbio entre instituições que lidam
com ampliação do acesso à água e a rede de saneamento”Outro
dos temas que serão abordados entre hoje e terça-feira é a redução das
desigualdades e o acesso a recursos para combater as alterações
climáticas, detalhou o embaixador brasileiro.Documentos
sobre estas matérias, e ainda sobre a redução das desigualdades raciais
e de género, estão a ser negociados e a presidência brasileira do G20
espera que possam ser aprovados durante a Reunião Ministerial de
Desenvolvimento, que contará com a presença da secretária de Estado dos
Assuntos Europeus, Inês Domingos, já que Portugal é um dos países
observadores convidados pela presidência brasileira.Estes
primeiros dois dias de reuniões lançarão as bases para, na
quarta-feira, com a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros,
Paulo Rangel, e de vários ministros internacionais, o chefe de Estado
brasileiro, Lula da Silva, lançar a Aliança Global contra a Fome e a
Pobreza.O objetivo passa por formalizar os documentos da iniciativa e, com isso, possibilitar a adesão dos países interessados.A
partir de quarta-feira, a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza
passará a estar aberta a adesões, com a expectativa de que seja
definitivamente lançada em novembro, durante a Cimeira de Líderes do
G20, também no Rio de Janeiro.Aberta a
todos os países, esta iniciativa procura coordenar ações e parcerias
técnicas e financeiras para apoiar a implementação de programas
nacionais nos países que aderirem à proposta.Antes
do lançamento por parte de Lula da Silva, serão apresentados os novos
dados do mapa da fome pela Organização das Nações Unidas para
Alimentação e Agricultura (FAO).Em
conferência de imprensa realizada em Brasília na sexta-feira, Maurício
Carvalho Lyrio recordou os "números deprimentes" de 2022, que mostram
que cerca de 750 milhões de pessoas no mundo passam fome. "Uma tragédia
absoluta", já que "quase 10% da população mundial passa fome no mundo",
resumiu, mostrando "esperança que os números tenham reduzido".Portugal,
que foi convidado, assim como Angola, pela presidência brasileira para
membro observador do G20, estará representado, de acordo com fontes
diplomáticas à Lusa, pela secretária de Estado dos Assuntos Europeus,
Inês Domingos (Reunião Ministerial de Desenvolvimento), pelo ministro
dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel (reunião da Força-Tarefa do G20
para o Estabelecimento de uma Aliança Global contra a Fome e a Pobreza) e
pelo secretário de Estado Adjunto e do Orçamento, José Maria Brandão de
Brito (ministros das Finanças e Presidentes de Bancos Centrais do G20).Em
Fortaleza, de acordo com a mesma fonte, entre quinta e sexta-feira, a
ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário
Palma Ramalho, será a representante portuguesa na reunião do Grupo de
Trabalho sobre Emprego.As prioridades do
Governo brasileiro para esta presidência são o combate à fome, à pobreza
e à desigualdade, o desenvolvimento sustentável e a reforma da
governança global, nomeadamente do Conselho de Segurança das Nações
Unidas, algo que tem vindo a ser defendido por Lula da Silva desde que
tomou posse como Presidente do Brasil, denunciando o défice de
representatividade e legitimidade das principais organizações
internacionais.Os membros do G20 são as 19
principais economias do mundo: Estados Unidos da América, China,
Alemanha, Rússia, Reino Unido, França, Japão, Itália, índia, Brasil,
África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Canadá, Coreia do
Sul, Indonésia, México, Turquia, mais a União Europeia e a União
Africana.O Brasil, que exerce a
presidência do G20 desde o primeiro dia de dezembro de 2023, convidou
Portugal, Angola, Egito, Emirados Árabes Unidos, Espanha, Nigéria,
Noruega e Singapura para observadores da organização, assim como a
Comunidades dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).