Arquipélago com exposição da CACE para refletir sobre identidade dos Açores
Hoje 16:34
— LUSA
Integrada no programa de circulação nacional
da CACE, a exposição tem a curadoria da investigadora Vera Carmo e
“reúne um conjunto de obras da coleção que percorrem o arco temporal
entre 1957 e o presente, marcando a transição histórica e social do
silêncio da ditadura ao estrondo da democracia”, anunciou a Museus e
Monumentos de Portugal (MMP), em comunicado.A
partir da figura de Hefesto, deus grego dos "vulcões e dos artesãos que
instalou a sua forja no interior da terra”, a exposição propõe uma
“reflexão profunda sobre a identidade e a história do território dos
Açores” a partir da relação com a natureza. “A
mostra convoca a memória das catástrofes naturais que moldaram a
região, estabelecendo diálogos com a história política e recente de
Portugal. O epicentro conceptual é a erupção do vulcão dos Capelinhos,
na ilha do Faial, em 1957”.A primeira
mostra da CACE nos Açores, que ficará patente até 01 de novembro, conta
com obras de artistas como Sarah Affonso, Luisa Cunha, Filipa César,
Pedro Tudela, Manuela Marques, Nuno Nunes-Ferreira, Emily Wardill e
Joana Escoval.“A exposição interroga o
silêncio e a “contenção sensorial” impostos pelo Estado Novo sobre o
acontecimento: nas reportagens da recém-criada RTP, a ausência total de
som – o silenciamento do estrondo do vulcão e das vozes da população –
tornou-se o testemunho mudo de um regime que temia as palavras”, lê-se
no comunicado.Além da reflexão sobre a
identidade dos Açores, a exposição vai cruzar a “afinidade com o
território insular e a exploração da dimensão acústica”.“’O
Silêncio de Hefesto” coloca uma questão central: quem pode falar, quem é
ouvido e em que condições a catástrofe se torna audível?”.A
exposição faz parte do programa de circulação nacional da CACE e está
integrada na programação oficial da Ponta Delgada 2026 – Capital
Portuguesa da Cultura. O espaço que acolhe
a CACE foi inaugurado a 01 de julho, em Alcabideche, Cascais, com a
exposição intitulada "Dual Sim", composta por uma seleção de 23 das
obras adquiridas desde 2019.Para a
diretora e curadora deste equipamento, Sandra Vieira Jürgens, a abertura
do novo centro constitui o culminar de um processo de recuperação e
valorização institucional da coleção do Estado, iniciado nos últimos
anos: “A coleção data de 1976 e nasceu muito da exigência dos artistas
em criar uma coleção que representasse a produção artística
contemporânea”, recordou à Lusa na no final de junho.Ao
longo das décadas, a coleção foi sendo expandida com aquisições
regulares, mas sofreu, no entanto, um período de menor atividade, que
durou mais de vinte anos, lembrou a historiadora de arte que lidera uma
equipa composta ainda por Ana Guimarães, Beatriz Hilário, David Teles
Pereira, Maria de Lurdes Marrinhas, Alice Watt-Dalston e Diogo Torres em
estágio.Apesar de o centro ter sido
criado para acolher a Coleção de Arte Contemporânea do Estado, a
diretora sublinhou que a sua missão continuará a assentar na circulação
das obras pelo território nacional e internacional.