Arquipélago celebra 10 anos levando arte contemporânea às escolas
27 de out. de 2025, 10:23
— Ana Carvalho Melo
O Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas está a promover a
iniciativa “10 anos - 10 autocarros”, uma ação que visa aproximar as
escolas dos seis concelhos da ilha de São Miguel da programação
desenvolvida pelo Serviço de Mediação da instituição.A iniciativa,
promovida no âmbito das celebrações do seu 10.º aniversário, inclui 10
visitas guiadas a alunos e professores de várias escolas da ilha de São
Miguel à exposição “Lourdes Castro: existe luz na sombra”. De acordo
com Sofia Carolina Botelho, do serviço de mediação do Arquipélago, com
esta iniciativa pretende-se reforçar a relação com a comunidade escolar,
enquanto se promove o acesso à arte contemporânea e incentiva a
participação de alunos e professores na vida cultural da Região.“O
projeto surge como uma resposta a um problema recorrente identificado
nos encontros anuais de professores realizados pelo Arquipélago no
início de cada ano letivo”, explicou a responsável, realçando que,
nestes encontros, uma das necessidades identificadas está relacionada
com a dificuldade das escolas em conseguir transportes, um desafio
particularmente complexo para crianças mais novas (do 2.º e 3.º ciclos).Neste
contexto, o Serviço de Mediação do Arquipélago – Centro de Artes
Contemporâneas concebeu a iniciativa “10 anos - 10 autocarros”, que, até
meados de novembro, levará à instituição cerca de 500 alunos de 10
escolas de São Miguel, desde o 1.º ciclo até ao ensino secundário.A
primeira visita decorreu na passada quinta-feira e trouxe ao Arquipélago
alunos da Escola Básica e Secundária do Nordeste. Estes alunos tiveram a
oportunidade de explorar a exposição “Lourdes Castro: existe luz na
sombra”, a qual apresenta um conjunto de obras de uma das mais
significativas artistas portuguesas do século XX, explorando temas como a
luz, a sombra e a presença.“A visita contextualiza o trabalho da
artista, incluindo a sua experiência de ter vivido e trabalhado antes e
depois da ditadura. O seu trabalho é considerado universal nos temas que
aborda, relacionados com a existência humana, as relações humanas e o
posicionamento em contextos ambientais e sociológicos” realça Sofia
Carolina Botelho.Recorde-se que Lourdes Castro (1930-2021), artista
portuguesa madeirense, é uma figura marcante na história da arte
portuguesa, e a sua obra é considerada atemporal. A exposição patente
até 1 de fevereiro de 2026, resulta de uma parceria com o MUDAS - Museu
de Arte Contemporânea da Madeira.Esta exposição, para além das obras
da artista, apresenta documentação e arquivo (como fotografias e
álbuns) que ajudam a contextualizar o trabalho de Lourdes Castro.Ao
Açoriano Oriental, Sofia Carolina Botelho realça que esta iniciativa se
alinha com a aposta do Arquipélago na abertura à comunidade, dado que o
esforço da instituição, desenvolvido pelos departamentos de mediação e
comunicação, visa ir além do mero “abrir” para “trazer” o público ao
espaço.Nesse sentido, Sofia Carolina Botelho sublinha que o serviço
de mediação tem procurado desconstruir certos códigos associados à arte
contemporânea, assegurando que esta seja usufruída e experienciada por
todas as pessoas. Esta aposta inclui o desenvolvimento de comunidades,
programas para famílias (como o que decorre no último domingo de cada
mês) e a promoção da educação não formal (como workshops e cursos de
verão), visando incutir o hábito de visitar centros culturais desde
tenra idade.“Tem sido feito um trabalho no sentido de desenvolver
inúmeros projetos, não só aqui, ligados à mediação, mas também à própria
comunicação, com estratégias que envolvem o desenvolvimento de várias
comunidades”, salienta.