Arqueólogo defende que se deve preservar e requalificar os fortes
16 de ago. de 2024, 10:02
— Nuno Martins Neves
Para o arqueólogo, avesso a extremismos, “nem de
eliminar tudo, nem de preservar tudo”, o essencial é que deve ser feito o
registo de espaços históricos como as fortificações. “Se for para
destruir, quem o destruir terá de o assumir que o faz por um bem maior.
Aquilo que costuma acontecer é que se destrói e ninguém diz nada a
ninguém. O que não pode acontecer é destruir-se e não haver um registo
prévio: se existir isso, a informação não se perde”.Diogo Teixeira
Dias entende que é necessário registar, interpretar e dar novas vidas a
locais como o Forte do Tagarete. “Este espaço pode ser outra coisa
completamente diferente: pensou-se, há uns anos, num centro
interpretativo do ilhéu de Vila Franca do Campo”. Para o arqueólogo,
é importante que se devolva o espaço às pessoas, pois se assim não o
for, “se deixarmos ao abandono haverá quem os tome. Nós encontramos
seringas quando fizemos a limpeza da posição da metralhadora. E isso
também não dignifica o espaço”.Na sua opinião, há muito trabalho a
fazer, nos Açores, no que toca às fortificações, mas é algo que não
poderá depender exclusivamente do setor público. Essencial, diz, é os
recursos das diversas entidades trabalharem em rede.“Não nos serve
de nada ter um memorando ou um projeto se não o realizamos por falta de
recursos. Tendo em conta que há fortificações em praticamente todos os
pontos dos Açores, acho que seria uma excelente ideia as pessoas
sentarem-se à mesa, conversarem entre técnicos - porque os políticos vão
e vêm - e que se assumisse, por todas as forças políticas, a cultura
como uma perspetiva de continuidade, independentemente de quem esteja a
governar”.