Armadilhas inteligentes vigiam pragas agrícolas nos Açores

Hoje 10:41 — Daniela Arruda

Imagine uma armadilha que além de apanhar um inseto, deteta-o, tira uma fotografia e envia essa informação para os serviços responsáveis pela sanidade vegetal. Esqueça, não precisa de a imaginar, ela já existe, e é chamada de “armadilha inteligente”. E mais, já está a ser usada nos Açores para acompanhar a evolução das pragas que prejudicam as culturas.As armadilhas atraem os insetos através de feromonas específicas, escolhidas a dedo, para a espécie que se quer encontrar. A informação chega muito mais rapidamente aos serviços competentes, bem como aos produtores e, por isso, a resposta à praga também é bem mais célere. O truque no combate às pragas está em descobrir o quanto antes que elas estão presentes nas culturas, para depois se agir o mais rapidamente possível.Para combater estes “bichinhos” estão distribuídas 17 armadilhas por cinco ilhas, e o objetivo é aumentar tanto o número de equipamentos como as áreas agrícolas que estão abrangidas. Este projeto faz parte da rede de monitorização da Região. No total, os Açores contam com 105 postos de observação biológicos e 55 postos meteorológicos de informação, que servem para ajudar a acompanhar as condições e a evolução das pragas, anunciou ontem António Ventura, secretário regional da Agricultura e Alimentação, durante uma visita ao Laboratório Regional de Sanidade Vegetal.As armadilhas inteligentes dão informação de forma rápida, e essa é a grande vantagem de as ter na rede de monitorização. António Ventura explica que a informação chega mais rapidamente ao laboratório e depois é publicada no portal de Avisos Agrícolas dos Açores, gerido pela Rede de Monitorização e Avisos Agrícolas dos Açores (RMAAA).99 pragas estão debaixo de olhoO Laboratório Regional de Sanidade Vegetal está a acompanhar a evolução de 99 pragas e este número tem vindo a aumentar: em 2020, eram monitorizadas apenas 66. Mas não é sinal de alarme. António Ventura contextualiza com o facto de vivermos numa Europa livre. Pragas aparecem na Europa e em todo o mundo e, apesar de haver controlo nos portos, nos aeroportos e nas marinas dos Açores, existe sempre risco de elas conseguirem escapar e entrar. E, por isso, esta vigilância constante por parte dos serviços serve também para detetar se alguma praga nova conseguiu escapar a este controlo e entrar em território açoriano.A Xylella é um exemplo de uma praga que está a prejudicar muitas culturas agrícolas em Portugal continental, mas que, até ao momento, não há registo dela nos Açores. E o trabalho de monitorização passa também por tentar evitar que, neste caso, ela entre. Toda a informação recolhida pelos serviços é partilhada no portal da RMAAA. Por isso, os agricultores podem escolher receber avisos agrícolas relacionados com a evolução destas pragas: podem escolher as culturas e as zonas sobre as quais querem receber informação, inclusive sobre as condições meteorológicas que contribuem para o seu crescimento.“Neste momento, as pragas estão controladas, estão identificadas. Estamos a evoluir para aumentar a celeridade de combate dessas mesmas pragas”, sublinhou o secretário regional da Agricultura e Alimentação.“Agora, isto não significa que amanhã não surja uma nova praga, mas até ao momento, apesar de sermos nove ilhas, controlamos essas pragas”, concluiu António Ventura.Vespa asiática: 597 armadilhas e capturadas 77 vespasA Vespa Asiática está, para já, circunscrita à ilha de São Miguel, onde foi detetada pela primeira vez a 27 de janeiro de 2025. Segundo António Ventura, secretário regional da Agricultura e Alimentação, já foram montadas 597 armadilhas e capturadas 77 vespas.O combate é feito por todos: serviços oficiais, autarquias e comunidade no que diz respeito à identificação dos ninhos. Nas outras ilhas, não há, até ao momento, registo desta espécie.Caso haja suspeita de um ninho, a recomendação é contactar de imediato o Serviço de Desenvolvimento Agrário de São Miguel. As pessoas não devem mexer nem destruir os ninhos, devem deixar isso para os serviços competentes. Este ano o número de intervenções diminui em relação ao ano passado, mas a colaboração das pessoas é essencial para que a vespa asiática não chegue a outras paragens.