Ariane, Virgin e Roscosmos na 'corrida' ao porto espacial dos Açores
6 de nov. de 2018, 09:56
— Lusa/AO Online
O
anúncio foi feito pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino
Superior, seis dias depois de ter terminado o prazo para empresas e
entidades submeterem propostas no âmbito de um concurso público
internacional aberto em setembro. Segundo
o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor,
tratou-se de um concurso de ideias que visou aferir o interesse do
mercado aeroespacial pela construção e operacionalização de um porto
espacial na ilha de Santa Maria, antes de Portugal avançar com um
"concurso realista" para a concretização do projeto. Manuel
Heitor assinalou à Lusa que a instalação e o funcionamento do porto
espacial, destinado ao lançamento de pequenos satélites para observação
da Terra, implicará, acima de tudo, um investimento privado, sendo que o
investimento público, estimado em seis milhões de euros, será para a
melhoria de infraestruturas locais. As
propostas submetidas pelos 14 consórcios que, de acordo com um
comunicado do ministério, incluem "soluções inovadoras de acesso ao
espaço com microlançadores", vão agora ser avaliadas por uma comissão
internacional de peritos, presidida pelo ex-diretor da agência espacial
europeia ESA Jean Jacques Dordain.Cabe
à comissão de peritos, depois de analisar as propostas iniciais,
recomendar os candidatos que devem 'entrar na corrida' para a construção
e operacionalização do porto espacial, e cujos projetos serão avaliados
entre fevereiro e maio de 2019. Na 'corrida espacial' terão de estar envolvidos consórcios com participação de empresas ou centros de investigação portugueses.Espera-se
que, de acordo com o calendário fixado, os primeiros lançamentos de
pequenos satélites se iniciem na primavera ou no verão de 2021, depois
de o contrato para a instalação e funcionamento do porto espacial ser
assinado, em junho de 2019, com os concorrentes 'vencedores'.Da
lista de 14 consórcios internacionais que apresentaram ideias fazem
parte empresas aeroespaciais portuguesas como a Edisoft, a Tekever e a
Omnidea, precisou Manuel Heitor.Quatro
dos consórcios são liderados pelas companhias aeroespaciais Ariane
(França), AVIO (Itália), Virgin Orbit (EUA) e Elecnor DEIMOS (Espanha) e
pela agência espacial russa Roscosmos. Mas há também empresas alemãs
envolvidas.A
comissão internacional de peritos integra o ex-diretor de lançadores da
ESA Gaele Winters, a antiga vice-administradora da agência espacial
norte-americana NASA Dava Newman, o presidente da Agência para o
Investimento e Comércio Externo de Portugal, Luís Castro Henriques, o
ex-reitor da Universidade do Minho António Cunha e o professor emérito
da universidade norte-americana do Texas Byron Tapley. Um
dos estudos que levaram o Governo a promover a abertura do concurso
público internacional de ideias para a construção de um porto espacial
nos Açores, para lançamento de microssatélites, foi desenvolvido pela
Universidade do Texas, com a qual Portugal tem parcerias.O
estudo, datado de janeiro, sugere a construção de uma base de
lançamento de pequenos satélites preferencialmente na zona de Malbusca,
na ilha de Santa Maria, devido "à amplitude e à orientação do seu
corredor de lançamento e aos seus atributos de segurança de alcance
superior".Segundo
o estudo, a operacionalização do porto espacial deve ser acompanhada
pela fixação nos Açores de empresas dedicadas ao fabrico de satélites.A
Universidade do Texas recomenda que uma eventual decisão sobre a base
espacial deve ser suportada por um plano de negócios, uma análise de
mercado e uma avaliação dos riscos ambientais e de segurança,
aconselhando ainda a que Portugal identifique pelo menos um possível
lançador de pequenos satélites que possa operar na base espacial de
forma a garantir a sua viabilidade.