ARCOA quer conquistar novos mercados para valorizar a carne de borrego
17 de nov. de 2025, 10:14
— Arthur Melo
A Carne de Borrego de Santa Maria tem, ao longo dos últimos anos,
conquistado apreciadores graças ao trabalho desenvolvido pela Associação
Regional dos Criadores de Caprinos e Ovinos dos Açores (ARCOA). Constituída
há cerca de 40 anos na ilha de Santa Maria, o trabalho desenvolvido
pela associação, em conjunto com a Federação Agrícola dos Açores e o
Centro de Estratégia Regional para a Carne dos Açores, no sentido de
classificar a Carne de Borrego de Santa Maria como produto de Indicação
Geográfica Protegida (IGP), está a seguir o processo natural e vai
permitir expandir os horizontes dos cerca de 70 associados da ARCOA que
se dedicam à criação de gado caprino e ovino nas ilhas de Santa Maria e
São Miguel. “Ao longo dos últimos 10 anos, o número de ovinos tem
aumentado não só em Santa Maria, mas também nos Açores, criando uma nova
fileira alimentar que provém daquilo que é a pressão do consumo, mas
também do dinamismo dos produtores que se dedicam à ovinicultura”,
assinalou o secretário regional da Agricultura e Alimentação, no
decorrer do Azores Meat Summit, evento que terminou sábado à noite, em
Ponta Delgada. António Ventura deu conta que a carne de borrego “é
um prato que começa a entrar nos nossos hábitos alimentares, mas também
de quem nos visita”, salientando por isso a importância do Azores Meat
Summit na promoção deste produto fora de Santa Maria. Acima de tudo,
concretizou o governante, o tempo é de procurar novos mercados para
promover a carne, e São Miguel é o espaço idealpara a implementação
destaestratégica.“Este evento [Azores Meat Summit] pretende também
que a promoção da carne de ovino seja feita fora de Santa Maria, ou
seja, é preciso conquistar novos mercados e nada melhor do que o melhor
mercado açoriano, que é a ilha de São Miguel, para promover a carne de
ovino”, reforçou António Ventura no decorrer do evento que teve lugar no
Serviço de Desenvolvimento Agrário de São Miguel, em Ponta Delgada. No
painel destinado à Valorização da Carne de Borrego de Santa Maria e seu
potencial, os chefs Eddy Melo e Vítor Cabral deram conta do enorme
valor nutricional e de mercado que o produto tem e pode representar
para o setor agroalimentar açoriano, desde que a sua promoção e
comercialização seja feita da forma mais assertiva. Os reputados
chefs, que no jantar de encerramento do Azores Meat Summit
exemplificaram o potencial da Carne de Borrego de Santa Maria, mas
também da Carne de Bovino dos Açores - IGP, contribuíram com as suas
confeções para desmontar a ideia que a carne de borrego “é o parente
pobre da carne” açoriana. “As coisas já não são bem assim, já se
começam a dar passos significativos. Tem havido um aumento da procura e
temos potencial para continuar a crescer e estamos no bom caminho”,
assinalou o presidente da direção da ARCOA. Na altura, e para
exemplificar a curva ascendente que o setor começa a descrever, Aníbal
Cabral Moura revelou que este ano foi possível escoar para o arquipélago
da Madeira, e pela primeira vez, um elevado número de borregos, abrindo desta forma um novo mercado para a Carne de Borrego de Santa Maria que
regista a sua maior procura no decorrer das festividades da Páscoa.Ainda
assim, o responsável da ARCOA reconhece que existem mercados onde “está
sendo difícil de entrar”, indicando o setor da restauração como um dos
entraves para que haja uma maior promoção do produto. “Daí que
trouxemos a este evento dois chefs de renome regional, nacional e
internacional, para fazer vários pratos e mostrar que o borrego e o
cabrito não se comem só de uma única maneira. E todos vão ter a
oportunidade de apreciar e constatar que a carne de borrego é uma das
carnes mais saudáveis”, vincou Aníbal Cabral Moura. Na sua
intervenção, o presidente da ARCOA enfatizou a necessidade de conquistar
novos mercados para a Carne de Borrego de Santa Maria, sob pena de
começar a perder-se todo o trabalho desenvolvido nos últimos anos. “A
ARCOA tem que agradecer aos produtores, porque é para eles que
trabalhamos e lutamos, porque sem os produtores não há matéria-prima,
naturalmente. E para os cativar, o produtor tem que saber que vai ter
lucro do seu trabalho, porque senão não é fácil! E temos que acabar com a
ideia que os ovinos e os caprinos são o parente pobre da vaca. Isso tem
que acabar”, vincou o dirigente mariense.