AR rejeita criação de círculo nacional de compensação nas legislativas
3 de mar. de 2023, 15:43
— Lusa
O
diploma do PAN - que propunha reduzir o número de círculos eleitorais
para 10, criando um círculo eleitoral da emigração e outro de
compensação - foi chumbado na generalidade com os votos contra do PS,
PSD, Chega, PCP e BE, abstenção da IL e voto favorável do Livre e do
proponente.Já o projeto do Livre que,
entre outros assuntos, propunha igualmente a criação de um círculo
nacional de compensação, foi chumbado com os votos contra do PS, PSD,
PCP e BE, abstenção da Iniciativa Liberal e voto favorável do Chega, PAN
e proponente.No debate que antecedeu
estas votações, a deputada única do PAN, Inês de Sousa Real, salientou
que o objetivo do seu diploma era o de criar “um novo e mais justo mapa
eleitoral, com menos círculos eleitorais, mas com círculos maiores e
capazes de dar mais peso às regiões mais despovoadas”.“O
PAN não aceita que, devido a um desenho injusto do mapa eleitoral, nas
últimas eleições legislativas 671 mil votos não tenham servido para
eleger um único deputado”, frisou. Por sua
vez, o deputado único do Livre, Rui Tavares, também considerou
“absolutamente inaceitável” que haja “tantos votos” desperdiçados e
defendeu que a criação de um círculo de compensação tem “funcionado
muito bem na região autónoma dos Açores” e deve ser “transposta para
todo o território nacional”.No entanto, o
deputado socialista Pedro Delgado Alves descartou “entrar em
modificações estruturais do sistema eleitoral” e defendeu que se deve
consolidar e codificar a legislação eleitoral, tal como recomendava um
projeto de resolução do PS que foi hoje votado e aprovado por
unanimidade. Este tema foi abordado pela
deputada do PCP Alma Rivera para referir que, em vez de “rever as
eleitorais de alto a baixo”, o importante é consolidar as leis
eleitorais, recordando que esse trabalho já tinha sido iniciado na
legislatura anterior e “não houve tempo para concluir”.“Não
acompanhamos, como é óbvio, uma revisão profunda das leis eleitorais em
aspetos estruturantes, incluindo matérias que devem ser decididas com
maioria qualificada de dois terços, que os senhores deputados querem ver
discutida e votada subitamente numa sexta-feira de manhã sem que tenha
havido debate público”, criticou.No mesmo
sentido, também a deputada do BE Isabel Pires considerou que as
propostas do PAN e do Livre “ainda não estão devidamente fundamentadas
ou amadurecidas” e o debate “precisa de ser muito mais aprofundado”.“Parece-nos
que querer forçar este debate em período de maioria absoluta é convite a
acordos de bloco central, cujos resultados não resultarão no reforço da
pluralidade e da representatividade do parlamento, bem pelo contrário”,
disse. Já a deputada da IL Patrícia
Gilvaz defendeu, à semelhança do PAN e do Livre, que não se pode
“continuar a desperdiçar mais de 600 mil votos”, considerando assim que
uma reforma eleitoral é “urgente e inadiável”.“Precisamos
de um sistema que equilibre melhor aquela que é a nossa representação
local e a representação nacional, aproveitando todos os votos dos
eleitores por via de um círculo nacional de compensação”, defendeu. Neste
período de votações, foi também aprovado na generalidade um projeto de
lei do PAN que visa alargar o direito de voto antecipado na eleições
autárquicas e melhorar o processo eleitoral nos círculos da emigração
nas legislativas. O parlamento aprovou
também na generalidade - com os votos contra do PSD e PCP - um diploma
do Livre que estabelece que a propaganda eleitoral deve ser removida
“nos 45 dias úteis” após a data das eleições, sob pena de ser aplicada
uma contraordenação. Foi, no entanto,
chumbado outro projeto do Livre que visava garantir que todos os
partidos políticos que tiveram “pelo menos 1% dos votos expressos no
último ato eleitoral do mesmo tipo” poderiam participar nos debates
televisivos.No debate que tinha antecedido
a votação, Rui Tavares tinha defendido esta medida argumentando que
“faz todo o sentido” que o CDS possa participar nos debates das próximas
eleições legislativas.