AR quer rever mobilidade aérea com Açores e Madeira e prevenir fraudes
21 de jun. de 2024, 10:22
— AO Online/Lusa
Na apresentação projeto de resolução, o
deputado Paulo Moniz (PSD), eleito pelo círculo dos Açores, defendeu que
a criação de um grupo de trabalho não deve ser para “rever a atribuição
do subsídio em si” nem “retirar qualquer direito aos residentes” nas
regiões.O social-democrata defendeu que “é
preciso encontrar sem mais demora, uma forma articulada, consolidada,
com acordo de todos, que garanta a manutenção deste direito” para os
residentes na Madeira e nos Açores, assegurando-se o “equilíbrio do
Estado e o mercado, nas companhias e nos agentes autorizados de vendas
de bilhetes aéreos”.O subsídio social de
mobilidade permite que os residentes na Madeira paguem 86 euros nas
viagens aéreas entre a região e o continente, sendo 65 euros o valor
para os estudantes.Nos Açores, o subsídio
social de mobilidade permite aos residentes no arquipélago deslocarem-se
para o continente com uma tarifa aérea máxima de 134 euros. Porém, é
necessário adquirir inicialmente a passagem pelo preço de venda e só
depois de efetuada a viagem todo o valor acima desta meta de 134 euros é
ressarcido a título de reembolso pelo Estado.Na
apresentação da proposta do BE, a deputada Marisa Matias referiu que a
medida deve permitir “a redução direta do valor de subsídio ao bilhete
pela transportadora aérea".“A alteração
desta medida permitiria uma maior justiça, evitando situações em que
famílias estejam impedidas de viajar pelo facto de não terem recursos
para adiantar valores avultados", afirmou a deputada bloquista. Inês
Sousa Real (PAN), na apresentação da proposta do seu partido,
considerou que existe uma “atitude abusiva dos CTT” na restituição do
apoio, uma vez que se fazem “exigências documentais completamente à
margem do que a legislação prevê”.O PAN
quer “desburocratizar e simplificar” o reembolso ao passageiro através
do portal Simplifica, na Madeira, e da rede RIAC, nos Açores, por via
digital, tal como acontece nas Canárias.O
deputado socialista Miguel Iglesias (PS), eleito pelo círculo da
Madeira, estranhou que a proposta do PSD “tenha esquecido o decreto-lei
que efetivamente regula o subsídio para os residentes da Madeira” e
“apenas menciona o decreto-lei que regula os residentes dos Açores”. De
acordo com o parlamentar, a proposta do BE “pode criar mais problemas
do que os que pretende resolver” porque as companhias aéreas já deixaram
claro que, “se forem elas a arcar com as responsabilidades financeiras,
podem perfeitamente sair da rota da Madeira”.Para
o deputado do Chega Francisco Gomes, eleito pela Madeira, este modelo
em vigor converteu-se numa forma de "subsidiação camuflada da TAP que,
sem pudor, fez das rotas entre Lisboa e as autonomias atlânticas os
trajetos mais lucrativos que opera em todo o mundo”.Pelo
Livre, Rui Tavares defendeu que o grupo de trabalho proposto pelo PSD
deveria “reintroduzir o transporte marítimo de passageiros entre o
continente e os arquipélagos”, uma “reivindicação de longa data, em
particular dos madeirenses, e com toda a razão”. O
deputado defendeu que se deve estudar a “contiguidade e a coesão
territorial para que, também, pelo menos jovens e maiores de 65 anos
possam viajar para os arquipélagos”.Carlos
Guimarães Pinto, da IL, apontou a necessidade de se rever o modelo, que
proporciona fraude, afirmando que a proposta do BE faz com que se corra
o risco de “as pessoas da Madeira e dos Açores terem menos voos
disponíveis”.Por seu lado, João Almeida,
do CDS-PP, considerou que o subsídio de mobilidade “não pode representar
aos cidadãos [dos Açores e Madeira] um sobrecusto que faça com que se
tenha mais opções, mas depois não tenham hipótese de as pagar”.Já
o comunista António Filipe referiu que “o problema de fundo é a
maravilha que é a liberalização do espaço aéreo”, sendo que o Estado
“passou a ficar refém dos preços a praticar pelas companhias aéreas” e
criou também “desigualdades entre os residentes".