AR discute Habitação com BE e PCP a proporem “extinção do empréstimo” de casas penhoradas
28 de dez. de 2018, 18:00
— Lusa/AO Online
Por agendamento do
PS, a discussão sobre a Lei de Bases da Habitação integra os trabalhos
da reunião plenária de 03 de janeiro, com projetos de lei de PS, PCP e
BE.Destes
três, o último projeto de lei a ser apresentado à Assembleia da
República foi o do BE, em 21 de dezembro, que defende que o Estado deve
promover e garantir o acesso à habitação a todos os cidadãos, através da
criação do Serviço Nacional de Habitação, que deve integrar “todas as
entidades públicas que desenvolvam atividades de promoção na área da
oferta pública de habitação e todo parque habitacional estatal, prevendo
uma infraestrutura de serviços nacional, com desdobramento local e
municipal”.Para
que se cumpra a “função social do parque habitacional” de providenciar o
direito à habitação, o projeto do BE indica que o Estado tem que
apostar na construção de fogos habitacionais e disponibilizá-los em
programas de arrendamentos e que “as habitações que se encontrem
injustificadamente devolutas, abandonadas, em degradação ou em ruínas
estão sujeitas a penalizações definidas por lei, regimes fiscais
diferenciados e requisição para ser efetivado o seu uso habitacional”.Neste
sentido, “a especulação imobiliária, o açambarcamento massivo de
habitações para as retirar do mercado e os atos tendentes a transformar a
habitação num simples veículo financeiro, colocam em risco a função
social da habitação”, pelo que são sujeitas a regimes fiscais
diferenciados, a penalizações e à requisição para ser efetivado o seu
uso habitacional, de acordo com a proposta do BE.No
direito à proteção e acompanhamento no despejo, os bloquistas querem
garantir “a impenhorabilidade da casa de morada de família para
satisfação de créditos fiscais ou contributivos”, assim como “a extinção
do empréstimo para aquisição de habitação própria e permanente com a
entrega da habitação em causa” ao banco.O
projeto de lei do BE determina, ainda, a proteção de arrendatários com
65 anos ou mais, com deficiência com grau comprovado de incapacidade
igual ou superior a 60% e famílias com crianças menores, “garantindo a
reocupação do locado após obras de remodelação ou restauro profundos,
ou, no caso de impossibilidade, o realojamento em condições análogas às
detidas anteriormente quer quanto ao lugar, quer quanto ao valor da
renda e encargos”.Apresentada
em abril, a iniciativa legislativa do PS para a criação da Lei de Bases
da Habitação propõe a requisição temporária de habitações devolutas, a
criação de um regime especial de fixação de renda, a atribuição de
subsídios de renda para idosos e “a impenhorabilidade da casa de morada
de família para satisfação de créditos fiscais ou contributivos”.Na
sequência da iniciativa do PS, o PCP apresentou, em outubro, um projeto
de Lei de Bases da Habitação, defendendo o papel do Estado na promoção
do arrendamento, uma política pública de solos contra a especulação
imobiliária, a expropriação dos edifícios devolutos públicos ou
privados, a impenhorabilidade da casa de primeira habitação para
satisfação de créditos fiscais ou contributivos e “a extinção do
empréstimo para aquisição de habitação própria e permanente com a
entrega da fração ou edifício”.