AR aprova alterações propostas pelo Governo à legislação de combate à corrupção
3 de jun. de 2022, 16:43
— Lusa/AO Online
O
diploma, que altera o Código do Processo Penal e a lei de 2002 de
combate à criminalidade organizada e económico-financeira, foi aprovado
sem quaisquer votos contra e com abstenção do PCP, Bloco de Esquerda e
Livre.Durante a apresentação da proposta
ao parlamento, em reunião plenária na quarta-feira, a ministra da
Justiça reconheceu a necessidade de corrigir a legislação para evitar
"bloqueios" ao funcionamento dos tribunais, nomeadamente os provocados
pelo regime de impedimentos dos juízes, apelando à rapidez do
parlamento."A proposta que agora se
apresenta pretende mitigar as consequências para o sistema judicial a
que algumas das alterações introduzidas pela Lei de 2021 conduziriam,
obstando a bloqueios, entorpecimentos e constrangimentos para a
organização e funcionamento da justiça penal", disse na altura Catarina
Sarmento e Castro.A ministra justificou as
correções à lei com as críticas feitas pelos conselhos superiores das
magistraturas, afirmando que o regime de impedimentos aprovado em
dezembro de 2021, em vésperas de eleições legislativas, "afunilou as
possibilidades de intervenção processual posterior do juiz que tivesse
intervenção no processo penal em momento anterior".Segundo
a ministra, a solução aprovada "pretendeu ser deveras garantística",
mas "ampliou mais além e de tal forma os impedimentos previstos, que
esta nova redação poderia, na prática e no limite, paralisar ou, pelo
menos, dificultar em muito o funcionamento dos tribunais".Para
Catarina Sarmento e Castro, o regime de impedimentos aprovado iria
"desorganizar o sistema de justiça", gerar incertezas na atribuição de
processos pendentes e afetar sobretudo as comarcas de menor dimensão,
onde muitas vezes apenas existe um juiz, não havendo possibilidade de
substituto legal.Além da proposta do Governo, foram também votados outros dois projetos sobre o tema, do PAN e do Chega.O
projeto de lei do PAN, que alargava o estatuto de denunciante a pessoas
externas às entidades denunciadas e consagrava um mecanismo que proteja
o denunciante contra retaliações de âmbito judicial, foi chumbado,
apesar dos votos favoráveis do PAN, Chega e Livre, com os votos contra
do PS, PSD, PCP e BE, e abstenção da Iniciativa Liberal.Já
a iniciativa do Chega, que propunha a criação do estatuto do arguido
colaborador e agravamento das penas aplicáveis aos crimes de corrupção
previstos no Código Penal, contou apenas com o voto favorável do
proponente e abstenção da Iniciativa Liberal e PAN, sendo chumbado com
os votos contra dos restantes partidos.